Brasil vive estado de exceção e solução está na saída de Temer, afirma Nassif

Publicado em 13 de maio de 2017 às 18h14min

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Com assertiva de que o país vive um estado de exceção, o jornalista Luis Nassif falou na noite de ontem em Natal para um auditório lotado por mais de quatro centenas de docentes, estudantes, profissionais da mídia, petroleiros, juristas, políticos, lideranças dos movimentos sociais e sindicais e a sociedade civil organizada.

O jornalista foi o palestrante da sétima edição do projeto Na Trilha da Democracia, uma realização do ADURN-Sindicato, SINDIPETRO-RN e Frente Brasil Popular que tem buscado ampliar o diálogo com a sociedade sobre caminhos para restabelecer a Democracia e encontrar soluções para o Brasil.

Para Nassif, uma das maiores ameaças ao estado de direito são os ministros do Supremo, que não têm coragem de zelar pela Constituição. “Qualquer juiz de primeira instância de Brasília se sente julgando um processo de um Ministro do Supremo, com influência junto ao presidente da República, a tribunais superiores, a magistrados que lecionam em seu instituto, à mídia e a políticos em geral”, afirmou.

Papel da mídia

Conhecido pela sua firme e intransigente defesa da democratização da Comunicação, Nassif falou também sobre o papel da imprensa, “que só agora começa a acordar para a loucura que criou com a instauração do estado exceção. Veja o caso da Globo. Ela avançou tanto nesta radicalização que não tem retorno. Ou ela passa a ser a coparticipante de uma ditadura ou não há mais espaço para ela dentro de uma democracia. Ela terá que ser reduzida, não terá mais o controle total dos meios de comunicação”, avaliou.

A mídia brasileira, segundo Nassif, caiu de cabeça no pós-verdade e no jornalismo de guerra. “Entramos em uma guerra onde o que está em jogo é a Democracia. Este jogo era capaz de destruir pessoas, partidos, mas incapaz de construir um sonho, mostrar um desejo de país minimamente viável”.

O jornalista explicou como, ao longo dos séculos, estes grupos de mídia se constituíram no maior fator de influência sob o mercado de opinião e de notícias. “Mais influentes que os partidos políticos, mais influentes que as religiões, mais influentes que os sindicatos. E de repente você tem o território deles invadido pelas redes sociais”, apontou.

O problema, pontuou, é que neste tiroteio de mercado de opinião ninguém mais sabe o que é verdade e mentira. “Então vamos mentir, mentir e mentir. Vamos fazer um acordo entre nós e usar essa manipulação a nosso favor”.

Desmonte do Estado

Ao falar da importância do evento, o jornalista enfatizou a importância em debater e denunciar o processo de desmantelamento do Estado. “Eles fazem cortes exclusivamente de despesas independentemente do resultado. Racionaliza a máquina pública, que significa o mesmo com menos, cortando para os próximos 20 anos recursos para saúde, para educação e pondo fim à rede de proteção social”.

Na avaliação de Nassif, ao cortar direitos sociais, a rede de segurança das políticas sociais e diminuir o tamanho do Estado, Temer faz um trabalho de desmonte, “que a miopia monumental da nossa elite financeira não consegue entender que não tem futuro. As eleições de 2018 vão ser vencidas por quem se propor a concertar o que estes caras estão fazendo”, ressaltou.

“O que eles estão fazendo não tem futuro, a não ser que achem que o país vai cair definitivamente em uma ditadura”, afirmou.

Solução é saída de Temer

Como solução para a crise política e institucional que o país vivencia, Nassif aponta a saída de Michel Temer (PMDB). “Um político menor, que chefia uma organização criminosa. O que temos objetivamente é uma organização que pratica crimes e chantageia a República desde a redemocratização”.

Segundo passo é uma conciliação. “O Lula é hoje um grande ator. Você não pode ignorar o Lula, achar que vão destruir o Lula”. Não dá para você pensar hoje em nenhum acordo nacional que não tenha interlocutores.

Ao final da exposição, Luis Nassif respondeu às perguntas encaminhadas à mesa.

Estiveram presentes à sétima edição do projeto Na Trilha da Democracia, a senadora Fátima Bezerra (PT), a deputada federal Zenaide Maia (PR) e o deputado estadual Fernando Mineiro (PT).

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