Defesa de Direitos mobiliza milhares nas ruas de Natal

Publicado em 11 de novembro de 2017 às 11h30min

Tag(s): Manifestação



Com a marca da diversificada expressão crítica do povo brasileiro, a defesa de direitos unificou nesta sexta, 10 de novembro, as diferentes categorias de trabalhadores, estudantes, artistas e lideranças políticas, dos movimentos sociais, sindicais, de mulheres e da juventude. Em Natal, o Dia Nacional de Mobilizações, convocado pelas Centrais Sindicais e a Frente Brasil Popular, reuniu milhares na Praça Gentil Ferreira.

Um momento de conversar com os trabalhadores, vendedores ambulantes e comerciantes do bairro do Alecrim sobre os efeitos da reforma trabalhista, que entra em vigor neste sábado (11), e ouvir o descontentamento da população natalense com as sucessivas medidas anti-povo e anti-nação do governo de Michel Temer (PMDB).

“Estão acabando com as nossas conquistas, mas conversando com vocês, vendo que há pessoas lutando por nós, eu digo que não vão matar nossas esperanças não”, avaliou Francisco Dantas, comerciante, que desde o início da tarde observava a adesão de trabalhadores de diferentes categorias ao dia de lutas.

Sua fala foi reforçada por diversos outros depoimentos de populares que acompanharam a caminhada de seus locais de trabalho, automóveis e ônibus. “Acho importante que se tente parar essas ações de Temer. Veja, ele diminuiu o valor do reajuste do meu salário, que eu ganho um salário mínimo. Ele sabe o que são R$ 14,00 para mim? Para ele não deve ser nem o que paga de gorjeta a um garçom”, afirmou Maria das Dores Silva, empregada doméstica, que teve sua carteira assinada no final do ano de 2015, quando passou a vigorar as novas regras para o emprego doméstico.

Nos diálogos, além da aprovação da contrarreforma trabalhista, que empurrou o Brasil de volta ao passado, foram lembrados os cortes de recursos que a Constituição destinou à saúde, educação e ao investimento público, a tentativa de cortar o direito dos trabalhadores à aposentadoria, e a reedição do trabalho escravo.

Durante o percurso da Praça Gentil Ferreira à Cidade Alta, as palavras de ordem, faixas, cartazes e artes reforçaram não apenas a contrariedade às reformas trabalhista e da previdência, como também lembraram que não há saída para o país sem a realização de eleições.

“Esse governo tem que cair. Por isso que não podemos aceitar, inclusive, o golpe fatal, que seria a suspensão das eleições 2018. Precisamos ter respeitado o direito do povo de exercitar a sua soberania popular, de ir às urnas decidir quem deverá dirigir os destinos do país”, lembrou a senadora potiguar, Fátima Bezerra (PT).

Docentes, estudantes e servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte se fizeram presentes ao ato com força, beleza e criatividade, expressando em suas artes a preocupação com a ameaça à Educação Pública de qualidade, com a Ciência e com o futuro do Brasil.

“Está nas ruas num momento como este, lutando contra tantos desmandos de um governo que está no chão de aprovação popular, que está envolvido em esquemas de corrupção nunca visto no país, é fundamental para que estejamos firmes na garantia da educação, do ensino superior de qualidade, da pesquisa e do futuro”, afirmou o professor da UFRN, Daniel Lemos.

Além da desregulamentação do trabalho, os professores lembraram da necessidade de preparar a sociedade para o enfrentamento a outras medidas do governo Temer, como a proposta de reforma da Previdência, o leilão das sociedades de economia mista, a entrega do pré-sal a empresas estrangeiras, o perdão de dívidas a sonegadores e bancos, e os ataques ao funcionalismo público.

“A proposta do governo é clara. Fragilizar o Estado brasileiro e o setor público para que com isso entregue essa parcela de serviços essenciais à sociedade para iniciativa privada”, explica o presidente do ADURN-Sindicato, Wellington Duarte.

Para a diretoria do Sindicato dos Docentes da UFRN, o Plano de Desligamento Voluntário (PDV), redução de jornada com redução de salário (MP 792/17), adiamento de reajustes e aumento da contribuição previdenciária (MP 805/17) e projetos que permitem demissão de servidor estável (PLS 116/17) estão entre as medidas anunciadas pelo governo Temer para desestruturar o serviço público federal no país e devem exigir disposição de luta de toda a comunidade acadêmica.

“Os professores e servidores precisam entender efetivamente o que este conjunto de medidas representarão na diminuição de sua condição de vida”, alertou a professora Gilka Pimentel, vice-presidente do ADURN-Sindicato.

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