Obra lançada em Natal aponta soluções para “Resgatar o Brasil” dos problemas que vivencia

Publicado em 03 de dezembro de 2018 às 17h07min

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Na conjuntura adversa que o país vivencia, como apontar soluções para problemas centrais como o desemprego, a violência e a desigualdade? A chave desta questão foi apresentada de forma clara e objetiva pelos autores dos artigos que compõem a obra “Resgatar o Brasil”, lançada na última quinta-feira, 29, em Natal.

André Horta de Melo (“Imposto é coisa de pobre”), Gilberto Maringoni (“Viralatismo em marcha: golpe visa redefinir lugar do Brasil no mundo”) e Ladislau Dowbor (“O fim da farsa: o fluxo financeiro integrado”) estiveram no campus central da UFRN para a realização da quarta edição do Projeto Diálogos e confrontaram o pensamento econômico hegemônico no Brasil para uma plateia de estudantes, docentes e servidores da UFRN.

Questão tributária

Filósofo e especialista em tributação, o secretário de Tributação do Estado do Rio Grande do Norte e presidente do Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados, André Horta, fez uma abordagem da percepção dos brasileiros sobre os tributos e a carga tributária, alertando os presentes que o debate deve ser focado em tornar a sistema tributário mais justo, pagando mais quem pode mais, tributando lucros e dividendos e grandes fortunas.

“A parte da economia que funciona, que coloca a economia para rodar é a população mais pobre. Então quando você tributa essa parcela mais do que o andar de cima você termina comprimindo a demanda e perdendo a dinâmica da economia”, ressaltou Horta.

Para o secretário, a solução está na perspectiva de uma reforma tributária solidária, cuja base é progressividade. “A progressividade é aquilo que vai trazer na tributação nacional o aspecto econômico mais importante para ativar e desenvolver a demanda brasileira”, pontuou.

Relações Internacionais

Com a afirmativa de que o Brasil vivencia tempos de vulgarização das ideias, Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, chamou atenção que o país entra na antologia da chacota mundial.

O professor destacou a tentativa do governo em retirar do Brasil o seu protagonismo econômico e tecnológico, ao intensificar o processo de desindustrialização, inviabilizar investimentos em tecnologias, educação e infraestrutura. “Precisamos ter força política para impedir a consecução desse projeto de sucateamento”, reforça.

Para ele, a economia mundial está mudando muito e os países precisam se encaixar nessa nova economia mundial. “Então a China acabou se transformando numa fábrica do mundo junto com outros países asiáticos. OS EUA passam a ver a China como um grande concorrente. Nesse meio, com dois polos poderosos, os países que estão na periferia precisam achar seu lugar. E o lugar que o governo Temer, e agora o Bolsonaro, quer nos colocar é o canto do mundo. A periferia da periferia, sendo país produtor de produtos secundários, país sem indústria, um país com grande mão de obra desempregada, ou seja, um país muito mais pobre que o país é atualmente”.

Contudo, no que pese a tentativa de fazer o país voltar a ser o que era anos trás, Maringoni afirmou que o quadro de disputa na sociedade continua, mesmo após o fim das eleições, e, desse modo, não será tranquila a implantação de um plano que desmonta um século.

Política econômica

Ladislau Dowbor, professor titular de economia na pós-graduação da PUC-SP e consultor de várias agências das Nações Unidas, tratou da farsa que representa a forma como se tem analisado a política econômica nos últimos quatro anos. “O grau de distorção é espantoso, e a sobrevivência do discurso, incessantemente repetido nas mídias, só pode ser explicada pelo desconhecimento profundo, pela ampla maioria da população, de como funciona a economia, que dirá dos números”, afirmou.

O professor enfatizou a importância da obra ao “tocar em aspectos centrais da vida brasileira, como o problema da concentração da mídia, o problema político, social, da economia e das relações internacionais com uma linguagem acessível, para que as ideias fiquem claras e possamos debater projetos num momento muito difícil da vida nacional em que se elegeu um presidente que bate continência para um funcionário de terceiro escalão do governo americano”, disse.

Importância do debate

Para o presidente do Sindicato, Wellington Duarte, a ADURN como entidade promotora do evento, mais uma vez traz um debate acadêmico sobre o pensamento científico brasileiro na tentativa de enfrentar e pensar os problemas do país em suas diversas dimensões.

Compartilhando da ideia de que o debate é absolutamente salutar neste momento e a Universidade é um espaço em essência para esta prática, a diretora do CCSA, Maria Arlete Duarte, expressou a importância da UFRN ser palco deste lançamento. “A Universidade é por natureza um lugar de debate, da crítica, da inquietação, da pluralidade de ideias, então tem tudo a ver com lançamento de livros, de discussão e nesse momento particular da história do Brasil precisamos projetar perspectivas”, destacou.

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