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Breno Altman defende mobilização e unidade para realização de reformas estruturais

Publicado em 12 de Dezembro de 2014 Por ADURN Sindicato

Com o objetivo de mobilizar a Comunidade Acadêmica na perspectiva de conscientização da população sobre a importância da realização de reformas estruturais, como da política e da mídia, o ADURN-Sindicato realizou nesta quinta (11), no auditório da Biblioteca Zila Mamede, campus da UFRN, um debate com o jornalista Breno Altman, diretor editorial do site Opera Mundi.

Breno Altman iniciou sua apresentação com uma análise dos governos Lula e Dilma, do enfrentamento das crises econômicas internacionais e as estratégias do campo oposicionista e de esquerda no atual quadro da vida política do país.

Para o jornalista, a oposição mudou sua tática. “Das eleições findadas em 26 de outubro, extraiu a conclusão de que deveria passar imediatamente à ofensiva. Nada de acumular progressivamente forças, como em pleitos anteriores. A nova orientação é cristalina: acuar e sabotar o governo desde o primeiro momento”, ressaltou.

Segundo Breno, a direita move-se fundamentalmente por cálculo político. E nesse movimento, não há qualquer disposição para a paz, está segura sobre o potencial da estratégia de tensão máxima.

Ao ressaltar a necessidade de adoção de novas medidas e estratégias para o campo da esquerda enfrentar esse avanço das forças conservadoras, Altman propôs um triplo movimento progressista, que prevê a redução de impostos sobre consumo, mudança na estrutura tributária de caráter progressivo e redução da taxa de juros.

“As reformas que ampliavam o mercado interno a partir da reorganização de prioridades orçamentárias, associadas ao forte incremento das exportações, fomentaram um modelo de desenvolvimento com inclusão social que não feria interesses oligárquicos. O feijão dos proletários foi servido sem afetar o uísque dos abastados”, enfatizou Breno.

Para Breno, a retomada do crescimento, a expansão dos serviços públicos e a continuidade da inserção econômica dos mais pobres são impensáveis sem o Estado impor significativa redução da renda financeira dos mais ricos, desonerando seu próprio orçamento.

Nessa acumulação de forças, destaca a importância de mobilizar e unificar a esquerda e os movimentos sociais para viabilização de reformas estruturais que aprofundem as mudanças no país, especialmente a reforma política, sem o financiamento privado, e com uma série de características que permita alcançar uma representação mais legítima do ponto de vista da pluralidade da sociedade brasileira; e a reforma no campo da comunicação.

Portanto, considera fundamental, construir uma relação de confiança mútua entre governo e base social. Breno apresentou a necessidade de se ter uma proposta de representação política com maior identificação com a sociedade brasileira. Para o jornalista, é preciso envolver a sociedade no processo para que o projeto ganhe força.

Para ele, a experiência demonstra que a pressão democrática é necessária e pode levar a resultados positivos. Pontua como fator decisivo a capacidade de mostrar para a sociedade que em momentos de crise e de dificuldade pode-se avançar.

“Este raciocínio leva à proposição de uma nova agenda para o país, vertebrada por reformas estruturais, que sejam capazes de empolgar as ruas, a juventude, os pobres da cidade e do campo, até mesmo fatias das camadas médias e do capital produtivo”, destacou.

O jornalista não subestima a necessidade de construir governabilidade institucional, formando maioria congressual, mas só vê saída para o processo de mudanças se houver real empenho para constituir os trabalhadores, os movimentos sociais e a militância de esquerda como destacamento mobilizado para pressionar as instituições de fora para dentro.

O objetivo seria aproveitar a energia produzida na campanha eleitoral. Para tanto, aposta em intensificar a polarização programático-ideológica na sociedade.

Analisou, ainda, os prós e contras da adoção de uma tática defensiva, advertindo para um possível dano na credibilidade do governo junto à base político-social que reelegeu a presidente Dilma.

Assim, um recuo estratégico, apesar de aparentar ser um caminho mais seguro, ainda que determinado pela desaceleração das mudanças, pode ser vulnerável à hipótese de definhamento e divisão do campo popular, como já ocorreu em outras épocas, facilitando a vida das forças conservadoras.

Logo após a explanação, Breno Altman respondeu as perguntas dos presentes, que questionaram sobre fortalecimento da democracia, realização de reformas e movimentação do povo nas ruas, entre outros assuntos.

A presidente do ADURN-Sindicato, Ângela Ferreira, finalizou o ato agradecendo a presença de todos, e ressaltando a importância se discutir amplamente a realização de uma reforma política que aprofunde e fortaleça a democracia brasileira. “O que necessitamos é de mais democracia. Precisamos enfrentar a maior causa da corrupção eleitoral que é a influencia do poder econômico no processo eleitoral”, afirmou.

O objetivo dessa e de outras atividades que estão sendo realizadas em todo o Brasil é fazer com que a participação popular seja cada vez mais estimulada no país.

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