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Grupo de professores cobra mudança na USP

Publicado em 3 de Agosto de 2009 Por ADURN Sindicato

HÉLIO SCHWARTSMAN
da equipe de articulistas da Folha de S.Paulo
Um grupo de sete notáveis da USP está lançando um manifesto em que cobra alterações estruturais na universidade e exorta professores a participarem mais do processo de sucessão reitoral, que se inicia agora.
A íntegra do documento --intitulado "A USP precisa mudar"-- pode ser consultada aqui. Os nomes e os minicurrículos dos sete signatários do texto estão no quadro abaixo.
O manifesto aponta a necessidade de a USP se modernizar sem perder suas "tradições de qualidade". "As mudanças implicam fortalecer os critérios de qualidade em todas as suas ações e mecanismos de gestão, a começar pela escolha de seu próprio reitor, favorecendo o predomínio da academia sobre os interesses menores. Isso exige subordinar os procedimentos burocráticos e de gestão às atividades-fim, despindo-os dos seus componentes ritualísticos e cartoriais", diz o texto.
O movimento surge pouco depois de uma greve seguida de ocupação do campus de São Paulo pela Polícia Militar (a pedido da reitoria) que lançou a USP numa espécie de crise de identidade. O subproduto positivo do episódio é que ganharam maior evidência discussões existenciais sobre o papel da universidade, que vão desde a legitimidade das associações sindicais até a forma de eleição para reitor, passando por questões estratégicas como excelência acadêmica e avaliação.
O grupo considera que o processo eleitoral, previsto para terminar em outubro, é uma excelente oportunidade para melhorar o nível do debate, levando os candidatos a posicionar-se sobre os mais variados temas e definindo quais são os consensos que estão além de candidaturas individuais.
Em relação especificamente à escolha do reitor, o movimento defende a eliminação do colégio eleitoral do segundo turno, do qual participam apenas 256 professores muito próximos da reitoria. "O processo atual é altamente insatisfatório", diz Marco Antônio Zago, um dos articuladores do movimento. A alternativa proposta é o colégio eleitoral do primeiro turno, com 1.200 ou 1.300 membros, ou uma versão ainda mais ampliada.
O texto pede que uma nova forma de escolha seja efetivada já no primeiro ano da próxima gestão, para funcionar na eleição subsequente à deste ano.
Renato Janine Ribeiro, outro dos organizadores, enfatiza a questão da qualidade. "Muito do debate se tem centrado na forma de escolher o reitor, que é muito importante, mas é apenas um meio. O fim é o aumento da qualidade, o enfrentamento do que chamamos de déficits e o aproveitamento do que chamamos de oportunidades", afirma o professor.
O grupo insiste fortemente na necessidade de reforçar os mecanismos de avaliação como forma de garantir a excelência acadêmica. "Não há um processo de avaliação forte, permanente e profundo. E o pouco que há é sempre visto como algo para prejudicar, punir e perseguir", lamenta Zago.
Um dos problemas graves apontados pelo movimento é o que os signatários chamam de "forças centrífugas que tendem a desagregar a USP". Pesquisadores de mais sucesso acabam se isolando e, através das fundações e outros mecanismos, batalham sozinhos por financiamento para seus projetos.
A ideia de universidade como "universitas" (o todo, o universo) perde o sentido, explica Ribeiro. Para ele, essa tendência pode ser combatida com mais liderança acadêmica, em especial de parte da reitoria, e com mais autonomia para as unidades. "O modelo da USP é muito centralizador", queixa-se.
Outro alvo do movimento é a burocratização, que, nas palavras do documento "subordina o mérito ao rito". É função da reitoria, diz o texto, "quebrar a estagnação".
O documento também menciona a necessidade de a USP abrir-se mais para a sociedade, participando da solução de problemas e fornecendo os quadros necessários para enfrentá-los. Pede uma renovação do sistema de pós-graduação que aposte na interdisciplinaridade e em novas formas de articular grupos de pesquisa.
Questionados sobre candidaturas, tanto Zago como Ribeiro afirmaram que, hoje, nenhum dos signatários tem planos de postular o cargo de reitor.

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