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Senado impõe derrota a Bolsonaro e barra contrato verde e amarelo

Publicado em 17 de Abril de 2020 Por ADURN Sindicato

Jana Sá para Agência Saiba Mais

Sem consenso entre os líderes partidários, uma das medidas mais polêmicas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a Medida Provisória 905/19, que cria o Contrato Verde e Amarelo e flexibiliza mais as relações trabalhistas, não foi votada no Senado nesta sexta-feira (17). A expectativa do governo era que a proposta entrasse logo em votação pois perde a validade na próxima segunda-feira (20).

Mas já na abertura da sessão, os senadores alegaram que as votações remotas deveriam tratar de questões relacionadas ao combate do avanço da pandemia do coronavírus. O líder da oposição, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), tinha apresentado uma questão de ordem solicitando a suspensão da análise da MP. O pedido, endossado por PDT, PSD, Cidadania e PP, foi acatado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e apoiado pelo MDB.

“Me parece que esta medida provisória trata de questões trabalhistas editadas em outro momento, em outra situação, deixando de ser considerada urgente e convergente com a situação crítica que se apresenta agora”, avaliou o líder do MDB, Eduardo Braga.

A medida, que vinha tendo votação contestada e recebeu questionamentos inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF), foi alvo de obstrução por partidos contrários na Câmara , o que adiou a votação em mais de sete horas, mas terminou sendo aprovada pelos deputados na quarta-feira (15).

Sob o argumento de facilitar a criação do primeiro emprego para jovens de 18 a 29 anos, o texto prevê, entre outros pontos, a redução de encargos trabalhistas, considera acidente de trabalho no percurso casa-emprego somente se ocorrer no transporte do empregador, e reduz o papel da negociação coletiva, colocando acordos diretos entre patrão e empregado acima de jurisprudência e súmulas do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

As mudanças, para os senadores, emprestou à medida o caráter de minirreforma trabalhista, o que exige mais debate.

“É uma MP que fere a OIT [Organização Internacional do Trabalho] e os interesses dos trabalhadores brasileiros. São 60 páginas, 80 artigos. Não dá para votar de afogadilho. Não dá pra votar nem hoje, nem segunda-feira. O Senado precisa ter tempo para apreciar essas medidas que chegam de última hora. Além disso, não tem vinculação com a crise do coronavírus que vivemos neste momento”, afirmou o líder do PSD, Otto Alencar (BA).

Para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que reclamou os prazos apertados para se votar medidas provisórias, nenhuma das medidas provisórias apresentadas pelo governo Jair Bolsonaro “foi tão complexa como essa. Isso é um fato concreto. Há questionamento desde o ano passado. Essa foi a MP que teve o maior número de emendas na história: mais de 2 mil. Hoje 11 líderes se manifestaram para não votar”.

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