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Estudos revelam declínio da liberdade acadêmica no Brasil

Publicado em 23 de Março de 2022 Por ADURN Sindicato
Estudos revelam declínio da liberdade acadêmica no Brasil
mais importante que as vozes da universidade não sejam sufocadas. Nossa democracia e o futuro do Brasil dependem disso.

 

O artigo 207 da Constituição Federal (CF) garante aos docentes a liberdade acadêmica de pesquisar e ensinar nas universidades públicas, em um ambiente com autonomia didática, científica e de gestão.
Só que desde 2019 esses princípios estão sendo agredidos pelo governo de Jair Bolsonaro e por seus apoiadores extremistas.
Além das ameaças e perseguições a pesquisadores, da desvalorização da função social da universidade e da redução dos recursos para a ciência, esta liberdade vem sendo constantemente minada desde o início da gestão Bolsonaro. E há estudos que confirmam isso.
Em 2020, um relatório elaborado por um grupo de pesquisadores brasileiros e publicado em 2021 pelo instituto GPPi (Global Public Policy Institute), em Berlim, revelou que as ameaças à liberdade acadêmica começaram antes mesmo do atual governo iniciar sua gestão.
“A corrosão da liberdade acadêmica começou a acelerar na última campanha eleitoral, palco para o então candidato Jair Bolsonaro disseminar uma retórica agressiva contra as universidades, que segundo o hoje presidente seriam focos de ‘doutrinação esquerdista’. Em setembro de 2018, no auge da campanha, Débora Diniz, antropóloga e professora de Direito da Universidade de Brasília, se viu obrigada a deixar o país após meses sofrendo ataques por sua pesquisa e defesa da descriminalização do aborto. Nos meses seguintes à eleição, diversas instituições de ensino superior seguiram recebendo ameaças anônimas de ataques, acompanhadas de mensagens de ódio a mulheres, negros ou homossexuais,”diz o relatório.
O declínio da liberdade acadêmica no Brasil chamou a atenção da Scholars At Risk, organização sediada em Nova York. Ela oferece a professores e pesquisadores ameaçados a oportunidade de trabalhar em outro país por um período, por meio de parcerias com diversas instituições de ensino superior. Desde que foi criada, em 1999, a entidade recebeu 52 pedidos de apoio de professores brasileiros. Desses, 48 foram recebidos após o início da última campanha presidencial. Foram 32 pedidos de setembro de 2018 a agosto de 2019, e outros 16 de setembro de 2019 a agosto de 2020.

Princípio
A liberdade acadêmica é um princípio preservado em qualquer democracia desenvolvida do planeta. Ela garante que estudos e pesquisas possam ser desenvolvidos sem interferência política ou interesses de grupos econômicos.
É um princípio que favorece o livre debate de ideias, a liberdade de expressão e de pensamento.

Interferência
Importante lembrar que durante as eleições houve inclusive a interferência da Justiça Eleitoral. Magistrados de vários Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), alinhados ou simpatizantes da campanha de Jair Bolsonaro, passaram a tentar proibir manifestações em universidades públicas. Foram várias decisões nesse sentido, e elas só foram barradas definitivamente depois de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
A Scholars At Risk também realizou um estudo e organizou um banco de dados com registros de ameaças à liberdade acadêmica em todo o mundo. Foram identificadas mudanças no perfil dos ataques à liberdade acadêmica no Brasil: em vez de ameaças anônimas, acusações infundadas e medidas provisórias, ganham destaque processos administrativos e judiciais.
Segundo a Scholars at Risk, a deterioração da liberdade acadêmica no país é resultado de uma combinação de fatores, como a vilanização da comunidade universitária por lideranças políticas, pressões locais motivadas por um sentimento contrário às universidades e tentativas de fazer instituições de ensino serem “mais amigáveis” ou “controladas” por quem está no poder.
É necessário também entender que o corte de recursos para a Universidade Pública faz parte do mesmo projeto de minar a liberdade e autonomia universitária. Como bem disse o professor Darcy Ribeiro e que nos coloca mais luz a esses ataques que fazem parte da mesma semente de destruição: “A crise da educação no Brasil não é uma crise. É um projeto.”
Por isso, é cada vez mais importante que as vozes da universidade não sejam sufocadas. Nossa democracia e o futuro do Brasil dependem disso.

Fonte: APUB

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