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STF quer apurar corrupção no MEC em esquema denunciado por 10 prefeitos

Publicado em 28 de Março de 2022 Por ADURN Sindicato
STF quer apurar corrupção no MEC em esquema denunciado por 10 prefeitos

Cármen Lúcia do STF manda apurar denúncias de corrupção envolvendo o ministro da Educação, Milton Ribeiro, e pastores evangélicos. Até agora 10 prefeitos confirmaram os pedidos de propina para liberar verbas

 
 
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O escândalo de corrupção envolvendo dois pastores evangélicos que não exercem cargos oficiais no Ministério da Educação, mas são base de apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL), ganha novos contornos com a confirmação de 10 prefeitos de que houve pedido de propina para a liberação de verbas do MEC para suas cidades.

Os prefeitos acusam os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, de operarem um esquema no MEC para facilitar a liberação de recursos no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A denúncia veio à tona com a divulgação de uma gravação em que o próprio ministro da Educação admite que o presidente Bolsonaro pediu que ele liberasse verbas intermediadas pelos pastores.

Diante desses fatos, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, autorizou a abertura de inquérito pedido pelo Ministério Público Federal (MPF) para apurar o envolvimento do ministro da Educação, Milton Ribeiro, com os pastores. Na investigação que será conduzida pela Polícia Federal, serão ouvidos os prefeitos como testemunhas do caso. O ministro da Educação e os dois pastores também serão intimados a prestarem esclarecimentos.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, disse ver indícios dos crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, prevaricação e advocacia administrativa. Ele ainda precisa dizer se Bolsonaro também será investigado.

Os prefeitos que admitiram ter recebido pedidos de propina feitos pelos religiosos, foram: Gilberto Braga - Luis Domingues (MA); Kelton Pinheiro - Bonfinópolis (GO) e José Manoel de Souza - Boa Esperança do Sul (SP).

Os que admitiram que só chegaram ao MEC por meio dos pastores, são: Nilson Caffer - Guarani D'Oeste (SP); Adelícia Moura - Israelândia (GO); Laerte Dourado - Jaupaci (GO); Doutor Sato - Jandira (SP); Fabiano Moreti - Ijaci (MG); André Kozan - Dracena (SP) e Edmario de Castro Barbosa - Ceres (GO). A informação foi divulgada pelo jornal Estadão, o primeiro a divulgar o escândalo.

Segundo o jornal, além do pedido de um quilo de ouro feito ao prefeito Gilberto Braga, de Luis Domingues (MA), o prefeito de Bonfinópolis (GO), Professor Kelton Pinheiro (Cidadania), contou que chegou a receber uma oferta de desconto no valor da propina: "(Arilton) falou: 'vou lhe fazer por R$ 15 mil porque você foi indicado pelo pastor Gilmar, que é meu amigo. Pros outros aqui, o que eu estou cobrando aqui é R$ 30 mil'." O valor da contrapartida também incluía compra de bíblias patrocinadas pelo pastor. 

O prefeito de Boa Esperança do Sul (SP), José Manoel de Souza (PP), também disse ter sido abordado pelo pastor Arilton com proposta de propina. “Ele disse: Eu falo lá, já faz um ofício, mas você tem que fazer um depósito de R$ 40 mil para ajudar a igreja”.

PT entra com representação no TSE

Diante das denúncias, o Partido dos Trabalhadores entrou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo que o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro da Educação, Milton Ribeiro, sejam investigados por abuso de poder econômico e político.

Para o PT é preciso apurar o caso na seara eleitoral, já que há indicações de que a estrutura do Ministério da Educação vem sendo usada, pelo menos desde o início do ano passado, para promover a ‘candidatura e os desideratos políticos’ de Bolsonaro.

Leia aqui a íntegra do documento 

Bolsonaro mantém apoio a ministro da Educação

Apesar das gravações em que o próprio ministro admite a interferência dos pastores na liberação de verbas do MEC, Bolsonaro, em transmissão ao vivo na noite dessa quinta-feira (24), disse que coloca ‘a cara toda no fogo’ por Milton Ribeiro e de que estão fazendo uma covardia com ele.

Leia mais: Ministro da Educação diz priorizar amigo de pastor a pedido de Bolsonaro  

Com informações do Estadão

Fonte: CUT

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