Explorar
Menu
Pesquisa
Associado

Menu

Pesquisa

Debate sobre nova lei trabalhista prioriza proteção social para todos trabalhadores

Publicado em 20 de Abril de 2022 Por ADURN Sindicato
Debate sobre nova lei trabalhista prioriza  proteção social para todos trabalhadores

Para CUT e demais centrais é preciso alterar legislação para garantir proteção trabalhista e previdenciária, inclusive para trabalhadores que ainda não têm direitos como PJs e entregadores de aplicativos

notice

A eleição deste ano, que vai escolher o novo presidente da República, coloca no centro do debate os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras que vêm sendo atacados desde o golpe de 2016. A análise das políticas dos dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas mostra que um, o ex-presidente Lula, tem compromisso com os direitos sociais e trabalhistas; e outro, o presidente Jair Bolsonaro (PL), tem compromisso com o mercado e o patronato que só visam os lucros.   

Por isso, sindicalistas como o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, têm dito que essa é a eleição das nossas vidas, pois traz de volta a esperança de construir um novo modelo de legislação trabalhista que abranja todos os trabalhadores, formais e informais, como tem falado Lula, com o apoio da CUT e demais centrais sindicais.

Esse debate remete para a nefasta reforma Trabalhista do governo ilegítimo de Michel Temer (MDB-SP), promulgada em 2017, que acabou com mais de 100 itens da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Para a CUT e demais centrais, é preciso retomar a pauta de proteção social e previdenciária a quem não tem carteira assinada, como aqueles que abrem empresas para receber salários, as chamadas pessoas jurídicas (PJs), e os trabalhadores por aplicativos, esses totalmente alijados de qualquer tipo de proteção, além de como retomar o importante papel dos sindicatos na proteção ao trabalhador e trabahadora. 

Como o atual governo não dialoga sobre direitos dos trabalhadores, muito pelo contrário, só pensa e propõe retirá-los ainda mais, com propostas como a Carteira Verde e Amarela, que só não foi aprovada graças à luta da CUT e das demais centrais, a esperança se volta para a eleição do ex-presidente Lula.

É essencial discutir garantias como o acesso gratuito à Justiça do Trabalho, o direito às férias, 13º salário e direitos previdenciários aos que exercem suas atividades como PJ e a trabalhadores por aplicativos, pontua o secretário de Relações Trabalhistas da CUT Nacional, Ari Aloraldo do Nascimento, citando temas relevantes para as centrais sindicais.

“A questão depende de outras forças políticas, de saber o que se dá pra fazer nos primeiros 100 dias de um governo Lula, e o debate na Conclat [Conferência da Classe Trabalhadora] foi nesse sentido. Nós, inclusive, temos tido um diálogo mais estreito com ele [Lula] para construirmos uma proposta do movimento sindical como um todo”, afirma Ari.

O dirigente acredita que a visão de Lula, da CUT e das centrais parceiras é retirar da legislação aquilo que, segundo ele, nos aproxima do período pré-histórico, como o trabalho infantil, não ter jornada de trabalho pré-definidas, folgas, um salário decente e proteção social.

O movimento sindical tem defendido que a gente tire essas facilidades do mau empresário, que aproximam do trabalho escravo. Queremos uma política inclusiva para o trabalhador.
- Ari Aloraldo do Nascimento

O coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz Lúcio, reforça que o movimento sindical quer fazer alterações na legislação que garantam novos marcos na proteção trabalhista e previdenciária, olhando para mudanças que garantam a proteção para todos os trabalhadores.

“Fazer mudanças na legislação, promover a proteção social e previdenciária é diferente de contrarreforma. Em 2016, por exemplo, trabalhador por aplicativo não tinha proteção e se revogar simplesmente a reforma, sem colocar nada no lugar, ele ficará sem proteção assim como em 2016. Uma mulher grávida que seja PJ precisa ter direito ao salário maternidade. O que queremos é avançar, não simplesmente revogar”, afirma Clemente.

O que Lula fala é em criar um novo estatuto de proteção para este mundo do trabalho em transformação, proteger quem a legislação não protegia e como financiar.
- Clemente Ganz Lúcio

Representação Sindical

O secretário de Relações Trabalhistas da CUT Nacional, explica que a proposta das centrais busca retomar o direito dos sindicatos de serem os representantes dos trabalhadores nas convenções coletivas de trabalho, e que se acabe com o acordo individual, que só retira força do trabalhador na hora de negociar com o patrão.

“Quem representa os trabalhadores são os sindicatos; é preciso se reestabelecer a real importância sindical que representa o conjunto da classe, e portanto, precisa de convenções e acordos coletivos”, diz Ari, que complementa: “a outra questão que precisa aprofundar é da liberdade sindical, de autonomia, não como quer o atual governo, de liberar a fundação de sindicatos em todo canto, o que enfraquece a luta , diminuindo a sua autonomia e representação”.

Sobre o imposto sindical que detratores dizem que só interessa aos sindicatos, a CUT e o próprio ex-presidente Lula, já se posicionaram contrários. O que eles defendem é uma outra forma de financiamento.

“Defendemos que a decisão seja dos trabalhadores em convenção coletiva. Se eles decidirem que querem pagar seu sindicato que seja permitido o desconto em folha. Não queremos obrigação, mas apenas que o desejo do trabalhador seja respeitado”, diz Ari.

A proibição do desconto em folha também é criticada pelo coordenador do Fórum das Centrais.

“Se trata de criar outra forma de definição de financiamento, que não seja o imposto sindical e de retirar da legislação a negociação individual e garantir o acesso à Justiça do Trabalho”, ressalta Clemente.

O impedimento da organização do trabalhador é a trava da reforma Trabalhista que a CUT e as centrais querem revogar, segundo o secretário de Relações do Trabalho da CUT Nacional.

“Resumindo, estamos trabalhando na lógica de construir acordos entre nós, e retirar as travas da reforma Trabalhista”, conclui Ari Aloraldo.

Fonte: CUT 

Compartilhar: