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Bolsonaro ataca direitos das mulheres ao liberar FGTS para pagar creches

Publicado em 05 de Maio de 2022 Por ADURN Sindicato
Bolsonaro ataca direitos das mulheres ao liberar FGTS para pagar creches

Medida tira o mínimo de segurança que o fundo de garantia oferece às trabalhadoras. “Creche é um direito constitucional e dever do Estado”, contesta secretária de Mulheres da CUT-SP

 

Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
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O governo Bolsonaro assinou ontem (4) medida provisória (MP) com um conjunto de medidas acerca da empregabilidade de mulheres e jovens. Entre as ações, está a liberação do FGTS para que as trabalhadoras mães utilizem o recurso no pagamento da creche de seus filhos. A secretária de Mulheres da CUT São Paulo, Márcia Viana, alerta que “é mais uma medida que ataca os direitos trabalhistas das mulheres para o pagamento de um serviço que é de responsabilidade do Estado”. 

“O que vejo é uma medida eleitoreira”, critica. “A gente não pode permitir que mais uma vez as trabalhadoras sejam prejudicadas. Isso é um dever do poder público, a creche é um direito constitucional e Bolsonaro não pode e não deve mexer no Fundo de Garantia. As mulheres precisam se atentar a isso porque as pessoas estão muito endividadas no momento. Elas precisam do dinheiro, de trabalho e da creche. Mas essa é uma medida paliativa, nós precisamos de políticas públicas efetivas de direito à creche. Sem contar a questão que o FGTS é uma poupança quando a mulher perde o emprego. E mexer nessa poupança, nesse momento, acaba prejudicando ainda mais as trabalhadoras”, completa Márcia Viana. 

A secretária também chama atenção para o fato de terem sido as mulheres as mais prejudicadas durante a pandemia, com perdas de emprego e reduções salariais. Segundo a dirigente da CUT-SP, as trabalhadoras que estão na informalidade também estão fora da medida anunciada pelo governo federal. 

Medida ilusória

Desde o início da pandemia, a gestão Bolsonaro tem liberado saques extraordinários do FGTS para a população. A justificativa é a de que esse dinheiro ajudaria a aquecer a economia. A última liberação, de até R$ 1 mil, foi executada há duas semanas. 

A economista e pesquisadora Marilane Teixeira, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), alerta que a descapitalização do fundo de garantia é uma medida “paliativa” que não resolve a crise econômica, tampouco ajuda a aquecer a economia brasileira.

A economista explica que a proposta é “mascarada com essa ideia de injeção de dinheiro na economia. Mas é óbvio que ela tem pouco impacto”, destaca. “Até porque, o que elas (mulheres) têm de Fundo de Garantia é muito pouco, porque elas vivem o suplício do desemprego. As pessoas, às vezes, conseguem permanecer no mesmo trabalho por seis meses ou menos de um ano. Então é ilusão achar que a liberação dos recursos do fundo de garantia vão ser suficientes para ajudar a impulsionar a economia, criar um circuito positivo de renda, consumo e geração de emprego. É óbvio que isso não vai acontecer. É uma medida paliativa e momentânea que só enfraquece o trabalhador, na medida em que tira dela o mínimo de segurança que o Fundo de Garantia oferece”. 

Fonte: Rede Brasil Atual

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