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Direito à educação pública, gratuita e de qualidade deve ser visto como essencial para transformar uma sociedade, diz estudante chileno

Publicado em 08 de Novembro de 2022 Por ADURN Sindicato

2022 07 11 site marcelo camargo ag brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Para transformar uma sociedade e combater o avanço do modelo educacional privatista da extrema direita no mundo, o direito à educação pública de qualidade deve ser visto como essencial no país. A afirmação é do estudante chileno e diretor da Confederação Estudantil do Chile (CONFECH), Sebastián Ramos Ortiz.

“A educação pública e de qualidade tem sido uma luta histórica em nosso espaço, foram várias as mobilizações que, além da educação pública e de qualidade, pedem uma educação gratuita e não machista”, afirma ele se referindo a inúmeros atos estudantis contra o sistema privatista de educação que acontecem desde 1980.

Sebastián conta que no Chile, desde a Ditadura Cívico-Militar, há um forte aumento das instituições privadas de ensino superior e um declínio excessivo das públicas. Lá funciona o sistema de vouchers, que consiste na entrega pelo Estado de vales para os pais escolherem a escola de seus filhos. 

“Aqui ainda se mantém a lógica do voucher, que continua aguçando o conceito de aluno e números, no qual universidades com mais alunos têm uma renda maior, quando a lógica deveria ser a de igualdade de condições e qualidade para todo o território nacional. Os empresários estão interessados ​​em manter a lógica mercantilista e, assim, continuar a aumentar o seu capital”, explicou.

Segundo Roberto Leher, pesquisador da educação e ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um dos problemas do sistema de voucher adotado pelo Chile é a desigualdade gerada entre as escolas mais pauperizadas, mantidas só pelos vouchers, e as outras que recebem recursos complementares, mantidas por famílias mais ricas. "As escolas privadas do Chile, por sua vez, fazem seleção dos estudantes, ou seja, já há uma seleção prévia, o que mascara os resultados educacionais", relata Roberto Leher em entrevista.

Em vários países da América Latina a população tem vivido a realidade da mercantilização da educação. O modelo beneficia conglomerados de empresas do ramo, que implementam imediatamente políticas neoliberais. 

“Deve ser prioridade para o Estado direcionar suas ações para entregar uma educação pública, de qualidade, gratuita e não sexista. E enquanto organizações sociais, devemos continuar pressionando nestas linhas: pelo direito à educação, vendo-a como um motor de mudança em qualquer sociedade e direito de todos”, ressalta Sebastián, que complementa: “Em todo o mundo estamos vendo a ascensão da extrema direita, o que é bastante perigoso. Portanto, o que acontece no Chile pode ajudar os cidadãos brasileiros a saber quais ações tomar e, assim, avançar em uma sociedade mais justa”.

Mercantilização da educação é prejuízo para população e desrespeita autonomia dos/as professores/as

O ministro da economia do governo de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, chegou a defender o sistema de voucher no Brasil, mas o debate não avançou. No Brasil, algumas medidas para acabar com as escolas públicas já foram tomadas.

Por exemplo, no Paraná, o recém reeleito a governador do estado, Ratinho Júnior, está credenciando, por meio de edital, grupos empresariais da educação dispostos a assumir a gestão de 27 escolas da rede estadual. O projeto nada mais é que a terceirização completa para a iniciativa privada, um projeto-piloto que visa colocar fim no ensino público.

“É um prejuízo enorme para população, para os trabalhadores e trabalhadoras da educação e para nossos estudantes por que nós teremos uma piora na qualidade do atendimento aos alunos, com profissionais sem formação pedagógica, em que muitos deles nunca trabalharam no ensino e que não sabem como serem, de fato, profissionais responsáveis pela educação como um todo”, alerta Nádia Brixner, secretária de Funcionários/as de Escola da APP Sindicato.

Trecho do editorial da revista “Retratos da Escola” rumo à Conape e contra a privatização da da educação, de dezembro de 2017, já destacou que “quando o privado assume uma direção das políticas e imprime valores, temos grandes perdas para o processo societário em desenvolvimento, que mercantiliza o próprio conhecimento, um precioso bem público”.

Outra parte da publicação aponta também impacto na autonomia da categoria. “A expansão da privatização na educação já provoca profundas consequências para o trabalho docente, desrespeitado cada vez mais na sua autonomia, quando o seu conteúdo já vem pronto, para apenas ser administrado”, diz trecho do artigo Projetos Societários em Disputa, assinado por Vera Peroni e Leda Scheibe. 

 

Fonte: CNTE

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