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Analfabetismo entre jovens e adultos é de 13,4% no RN e fórum lança carta aberta

Publicado em 10 de Novembro de 2022 Por ADURN Sindicato
 

Com alta taxa de analfabetismo entre os maiores de 15 anos de idade no Rio Grande do Norte, em torno de 13,4%, o Fórum Potiguar de Educação de Jovens e Adultos (FPEJA) lançou carta aberta pela valorização da educação dessas pessoas no estado. O abaixo-assinado está disponível na plataforma change.org.

O índice no RN é o dobro da média nacional, 6,6%, segundo dados da pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua feita no ano-base de 2020. Cerca de 372 mil pessoas, das quais 188 mil – pouco mais da metade – têm idade inferior a 60 anos. Já os dados do PNAD Contínua de 2019 indicavam que cerca de 595 mil pessoas com mais de 14 anos de idade, encontravam-se sem instrução ou menos de 5 anos de estudo. Um recorte abarcando as pessoas acima de 25 anos, indicava que 1,059 milhão delas estavam sem instrução ou com o Ensino Fundamental Incompleto.

A intenção do texto lançado por instituições e educadores que atuam na área é provocar governo estadual e Assembleia Legislativa a criarem uma política estadual de EJA (Educação de Jovens e Adultos). A carta ainda deve ser entregue formalmente à governadora Fátima Bezerra (PT).

“Estamos mobilizando reuniões com parlamentares eleitos e reeleitos a fim de que possamos mostrar os dados que temos sobre a realidade da EJA em nosso estado. A Carta tem propostas e integra um movimento nacional de dar visibilidade ao direito à educação para pessoas jovens, adultas e idosas”, conta o professor do Departamento de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte Alessandro de Azevedo.

O documento compara os dados de analfabetismo com os números das matrículas realizadas pelas redes públicas municipais e estadual de educação básica, na modalidade EJA e constatam que “o sistema pouco tem feito para garantir esse direito”.

Desde 2015, as matrículas e o número de turmas na EJA, no Brasil e no Rio Grande do Norte, em toda a rede pública, têm caído. Comparando-se os números de matrículas na EJA – Ensino Fundamental, de 2015 com os dados de 2020, a redução é de 34,65% na rede estadual, e de 12,47% no total das redes municipais.

Para superar essa realidade, o documento propõe ações de Estado que envolvam várias instâncias do poder público. Confira os pontos:

1. Expansão das matrículas e do número de turmas de EJA, com ampliação e diversificação do atendimento, considerando o aumento do número de Centros de Educação de Jovens e Adultos na capital do Estado e no interior; cursos com currículos integrados à formação para uma imersão cidadã e solidária no mundo do trabalho; cursos de EJA com currículos, metodologias e dinâmicas específicas para populações e segmentos sociais com acesso dificultado à escola, inclusive com oferta de turmas nos horários matutino e vespertino, e em espaços não escolares;

2. Expansão da política de superação do analfabetismo de pessoas jovens, adultas e idosas, nos próximos cinco anos, de modo a atender as metas previstas no Plano Estadual de Educação, com a oportunização da continuidade dos estudos dos sujeitos, nas redes de educação básica;

3. Efetivação de Chamada Pública para matrículas na EJA, com ampla mobilização pública intersetorial e interinstitucional, em parceria entre as três esferas de governo e a sociedade civil organizada, a fim de garantir o cumprimento da lei 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases), em seu artigo 5º, § 1º, incisos I e II;

4. Estruturação de um comitê interinstitucional e intersetorial (composto por representações de instituições educacionais da sociedade, do FPEJA, das redes públicas de educação básica estadual e municipal) para acompanhamento e monitoramento das políticas públicas voltadas à EJA no Estado, inclusive a repactuação de prazos e metas previstas no Plano Estadual de Educação;

5. Criação de estratégias e condições para a atuação docente exclusiva na EJA, inclusive com a realização de concurso público específico para a modalidade, reconhecendo a especificidade e valorização dos profissionais que atuam nesta modalidade de educação;

6. Criação e implementação de um Programa Estadual de Material Didático para a EJA, a partir de um processo participativo de elaboração, confecção, produção e distribuição de materiais didáticos aos estudantes da EJA;

7. Desenvolvimento de um programa permanente de formação continuada para professores e professoras atuantes na EJA, com tempo exclusivo para atividades com este fim, previsto na jornada semanal dos profissionais;

8. Promoção de políticas intersetoriais (que articulem a educação à cultura, saúde, trabalho e renda) que concebam os sujeitos educandos da EJA em sua integralidade, considerando suas respectivas trajetórias sócio-históricas e culturais, especialmente os sujeitos do campo; com deficiência, transtorno global do desenvolvimento e alta habilidade/superdotação; que estejam cumprindo medidas sócio-educativas; e os privados de liberdade;

9. Construção de estratégias que considerem mecanismos de acompanhamento sistematizado e garantia de permanência do(a)s educando(a)s na EJA, especialmente os que estejam desempregado(a)s e as mulheres;

10. Diálogo com as IES no sentido da oferta de cursos de extensão e especialização para os profissionais atuantes na EJA em todas as redes públicas de educação básica e oferta de componentes curriculares voltados exclusivamente para a tematização da EJA;

11. Reconhecimento das realidades específicas dos sujeitos privados de liberdade, dos sujeitos do campo, quilombolas e indígenas, e dos sujeitos com deficiência, transtorno global do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, nas ações de garantia do atendimento, formação de professore(a)s, organização do trabalho pedagógico e as práticas curriculares;

12. Estabelecimento de uma estratégia que efetive a oferta da EJA integrada à Educação Profissional e Tecnológica, conforme previsto no Plano Estadual de Educação, em sua Dimensão 3, Meta 1.

 

Fonte: Saiba Mais 

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