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Editorial

Publicado em 28 de Junho de 2009 Por ADURN Sindicato
Entidade e responsabilidade A ADURN foi fundada em agosto de 1979 e de lá para cá grande parte de sua ação política foi condicionada pelo desenvolvimento das relações sociais que se desenvolveram no interior do sistema e que atingiu fortemente o movimento sindical do serviço público. Agora, perto das comemorações do trigésimo aniversário de sua criação, o sindicato dos professores universitários da UFRN enfrenta o desafio de buscar aproximar-se dos movimentos sociais e populares que estão inseridos na defesa de uma educação pública de qualidade e de uma sociedade mais justa, democrática e soberana. Um sindicato que tem a especificidade da ADURN tem uma responsabilidade inerente à sua própria base. Se a UFRN é uma força reconhecida pela sociedade potiguar como participante de sua trajetória histórica, a ADURN ainda carece desse reconhecimento e se mantém ao largo dos debates que envolvem a sociedade local e nacional. Essa tendência, determinada pelos condicionantes históricos de sua própria trajetória política tem mantido a ADURN, um sindicato que conta com mais de 2.000 associados, e um dos dez maiores do Brasil na sua categoria, mais como um elemento passivo do que ativo nos grandes debates nacionais e locais. Entre os objetivos da ADURN estão a defesa de um ensino público de qualidade e de políticas educacionais voltadas para o atendimento das necessidades populares. Nesse caso caberia ao sindicato uma ação política mais arrojada que a aproximasse dos interlocutores locais que tem essa afinidade. A unidade de ação desses interlocutores favoreceria o fortalecimento de ações conjuntas, preservando a especificidade de cada uma delas e permitiria troca de informações que favoreceriam a construção de novas estratégias de ação. Outras lutas sociais Mas a defesa da educação pública implica, também, uma responsabilidade social concreta que é a de participar dos debates acerca dos rumos do desenvolvimento da sociedade potiguar, numa perspectiva de contribuir, com estudos e propostas, para que o desenvolvimento traga ganhos sociais efetivos para as camadas mais pobres e, dessa forma, favoreceria uma maior inserção destas no ensino básico com qualidade superior e, por conseguinte, contribuiria para a melhoria do ensino universitário. A realidade mostra que a mera defesa do ensino superior não é suficiente para melhorar a qualidade da universidade. Por outro lado a ADURN deve participar de forma ousada das discussões que permeiam a sociedade, tais como a Reforma Previdenciária, que atinge os seus associados aposentados e pensionistas, os professores que estão na ativa, os servidores públicos de uma maneira geral e a própria sociedade como um todo. Tal reforma, na verdade um conjunto de reformas, afeta expectativas presentes e futuras e trás para si um conjunto de incertezas que precisam ser mais bem dissipadas por uma entidade sindical que tem quase 50,0% dos seus associados na situação de aposentados e/ou pensionistas. Estudar, participar e propor deve ser parte de uma estratégia que a ADURN deve desenvolver para enfrentar a realidade que a cerca. Tempo de mudanças A Reforma Universitária, mais do que interessar a comunidade interna da UFRN, é de real importância para a sociedade, pois é a partir dela que a universidade mostrará sua nova face e isso deve ser visto pelo sindicato como um momento de especial interesse na medida em que esta reforma interessa diretamente aos professores e servidores locais, pois as condições de trabalho e ensino em boa parte serão influenciadas pela nova visão de universidade que está presente na reforma. Por fim, mas não menos importante estão as reformas sindicais e trabalhistas, especialmente importantes porque se remetem à própria existência do sindicato como entidade representativa de uma categoria, e também pelas modificações propostas nas relações de trabalho existente. Ao afetar a estrutura sindical que existe hoje, a reforma sindical exige das lideranças políticas um esforço redobrado para evitar recuos nas formas de organização que beneficiem a classe trabalhadora como um todo e as categorias do serviço público especificamente. É uma tarefa que exige paciência e perseverança, mas também firmeza na defesa dos interesses gerais da nossa categoria e da própria classe dos trabalhadores. Portanto a ADURN, às vésperas do seu trigésimo aniversário, deve se firmar como uma entidade politicamente equilibrada, propositiva e disposta a dialogar com toda a sociedade potiguar e nacional, preservando sua característica de ser representante de uma categoria. O sindicalismo progressista, democrático e independente exige um sindicato livre de dogmas e de \"ortodoxismos\" e, portanto, pronto para ser reconhecido social e politicamente.
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