Explorar
Menu
Pesquisa
Associado

Menu

Pesquisa

Calor e baixa umidade: especialista alerta os cuidados para a saúde do trabalhador

Publicado em 09 de Setembro de 2024 Por ADURN Sindicato

Nas últimas semanas, uma onda de calor extremo tem afetado boa parte do país. Várias cidades, especialmente das regiões Sudeste, Norte e Centro-Oeste, chegaram a entrar em alerta vermelho, de grande perigo, por conta da baixa umidade do ar.  

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), além dos agravos ao meio ambiente, pelo aumento dos incêndios florestais, a saúde da população também sofre riscos. 

O clima desértico foi registrado em mais de 200 cidades brasileiras. Outro fator preocupante é a fumaça das queimadas que tem tomado a atmosfera, exigindo o dobro de cuidados com a saúde. Para trabalhadores/as que realizam esforço físico e vocal diariamente, como os professores, especialista aponta quais atitudes para prevenir problemas potenciais, como doenças pulmonares e desidratação.

“Durante períodos de calor extremo, baixa umidade e seca, as pessoas podem experimentar uma variedade de sintomas que afetam a saúde cardiovascular e geral”, explica o pneumologista Alberto Cukier, do Hospital Santa Catarina - Paulista. 

“A desidratação, por exemplo, pode se manifestar com sintomas como boca seca, urina escura e fraqueza, e pode sobrecarregar o coração e causar arritmias. O calor extremo pode levar ao cansaço excessivo, um dos sinais de estresse térmico, e pode afetar o bem-estar cardiovascular”, alerta. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o limite da umidade relativa do ar é cerca de 60%. Nessa semana, os estados do Piauí, Paraná, Ceará, Tocantins, Mato Grosso, Bahia, Goiás e no Distrito Federal, experienciaram o índice abaixo dos 13%. Em termos de comparação, no deserto do Saara, considerado o mais quente do mundo, a média de umidade pode variar entre 14% e 20%.

Período desafiador

Para a secretária de saúde dos Trabalhadores da Educação da CNTE, Francisca Seixas, a crise climática é resultado da destruição ambiental que acontece no planeta. "Os maiores agressores do meio ambiente são os países ricos, e os que mais sofrem são exatamente os que menos poluem. Além dessa grave situação, as queimadas criminosas que ocorrem no Brasil (as piores desde 2010) agravam, e muito, a situação", ela lamenta.

A dirigente menciona que, no interior do estado de São Paulo, cerca de 48 cidades foram atingidas e ainda se sente os efeitos das queimadas. Até terça-feira (3/9), o país já tinha registrado mais de 135 mil focos de incêndio, um aumento de 101% em relação ao mesmo período de 2023.

O boletim divulgado pela Defesa Civil do estado, na manhã desta quinta-feira (5/9), informa que pelo menos 16 cidades ainda têm focos ativos de incêndios.

"Vemos fumaça em todos os cantos. Em algumas cidades as aulas chegaram a ser suspensas", relata.

Cuidados necessários

Segundo Francisca, no ambiente escolar, o desconforto térmico dificulta ainda mais quando há insuficiência de funcionários para suporte ao quadro de trabalhadores.

"Com a umidade extremamente baixa, necessitamos beber mais água do que nos dias com umidade boa. As dificuldades enfrentadas na educação são peculiares porque com a quantidade de funcionários insuficiente nas escolas, as professoras e professores têm dificuldade para se ausentar das salas de aula, então usam garrafinhas para se hidratarem. A mesma dificuldade acontece quando precisamos usar o banheiro, pois quando bebemos mais água, essa necessidade aumenta”, conta. 

“Ou deixam os alunos sem ninguém tomando conta ou seguramos até o intervalo, que pode ser de duas ou até três aulas subsequentes. Além disso, há salas de aula que são invariavelmente muito quentes, com pouca ventilação e em várias escolas os ventiladores são antigos, barulhentos e ressecam ainda mais o ar", lamenta.

Para ela, uma medida eficiente e importante a ser tomada nas escolas seria a execução de intervalos entre cada aula, permitindo um período de hidratação e uso do banheiro pelos alunos e profissionais. 

"Como ocorre, inclusive, nos jogos de futebol, em que o árbitro para a partida por alguns minutos para os atletas beberem água. Essa medida simples pode evitar transtornos maiores. Porque com a baixa umidade do ar, a hidratação se torna mais contundente em períodos mais curtos", considera.

Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), o médico pneumologista, Alberto Cukier, destaca os principais sintomas do estresse térmico e o que pode ser feito para evitar enfermidades nesse período. 

CNTE: O que os profissionais que fazem esforço vocal diariamente, como professores, podem fazer para evitar adoecer nesse período?

AC: Para profissionais que utilizam a voz de forma intensa, como professores, é importante adotar algumas precauções para proteger a saúde vocal, especialmente em condições de calor e baixa umidade. A hidratação contínua é essencial para manter as cordas vocais lubrificadas. Além disso, utilizar umidificadores no ambiente de trabalho, se possível, pode ajudar a manter a umidade do ar e aliviar a secura da garganta. 

Caso sinta rouquidão, é recomendável procurar um médico ou fonoaudiólogo para orientação sobre técnicas adequadas de projeção vocal e minimizar o esforço excessivo. Além disso, é importante poupar a voz, evitando gritar ou falar em volume elevado por longos períodos.

CNTE: Além de desidratação e problemas cardiovasculares, quais outros sintomas podem afetar a saúde das pessoas nesse período?

AC: Pode haver um aumento da pressão arterial, resultando em hipertensão ou hipotensão em alguns casos, e problemas respiratórios, já que a baixa umidade pode irritar as vias respiratórias e agravar condições respiratórias pré-existentes, como asma. 

Por isso, é fundamental prestar atenção a esses sintomas e buscar atendimento médico se necessário, para evitar complicações e manter a saúde em boas condições durante esses períodos desafiadores.

CNTE: Quais os cuidados devem ser adotados durante o trabalho no período de seca/baixa umidade e muito calor?

AC: É crucial reforçar a hidratação, pois a desidratação pode sobrecarregar o sistema cardiovascular e aumentar o risco de problemas como hipotensão e arritmias.

É importante, ainda, evitar a exposição ao calor extremo, especialmente durante as horas mais quentes do dia. Manter uma dieta equilibrada e evitar alimentos ricos em sódio também é fundamental. Além disso, não se esqueça de usar protetor solar e utilizar bonés ou chapéus como proteção adicional.

Fonte: CNTE

Compartilhar: