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Especialista fala sobre uso de telas e saúde mental

Publicado em 31 de Janeiro de 2025 Por ADURN Sindicato

Vivemos em um mundo conectado, digitalmente falando. Só para se ter uma ideia, dados de uma pesquisa internacional apontam que brasileiros passam, em média, 9 horas e 13 minutos do dia navegando na internet. As informações são do Relatório Digital 2024: 5 billion social media users, produzido pelas empresas We Are Social e Meltwater, que têm atuação multinacional na produção de conteúdo para plataformas digitais. O uso excessivo de telas é um dos pontos de alerta levantados pela campanha Janeiro Branco, que trouxe para o debate, o tema O que fazer pela saúde mental agora e sempre?.

Na rotina dos estudantes de graduação a distância da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), faz-se necessário estar sempre atento ao Mandacaru Acadêmico – ambiente virtual de aprendizagem – usado pelos alunos para ter acesso aos conteúdos das disciplinas, a avisos importantes e a fóruns para discussões. David Lima concluiu, recentemente, o curso de licenciatura em Letras, na modalidade a distância, no Polo UAB/UFRN em Parnamirim/RN, e relembra como foi sua rotina de estudos.

“Geralmente, o horário da noite era o momento perfeito para estudar; sentado à mesa, com o notebook, eu dividia o tempo de estudo em ler o conteúdo do dia, anotações e assistir às videoaulas”, afirma, ao esclarecer que dedicava cerca de quatro horas a essa rotina. “Nos finais de semana, o tempo que eu passava conectado era um pouco maior; os horários da manhã e da tarde somavam em torno de seis horas e confesso que passar tanto tempo conectado me dava, às vezes, um cansaço mental”, finalizou.

Encontrar um equilíbrio pode evitar o surgimento de problemas de saúde que impactem o aprendizado e o comportamento dos estudantes. Nesse sentido, em 13 de janeiro de 2025, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou o projeto de lei que regulamenta a utilização de aparelhos eletrônicos portáteis, incluindo celulares, por estudantes nos estabelecimentos de ensino público e privado da educação básica, em todo o país. A expectativa é que a medida possa resguardar a saúde mental, física e psíquica de crianças e adolescentes, auxiliando na promoção de um ambiente escolar mais saudável e equilibrado.

De acordo com o que prevê a Lei nº 15.100/2025, é proibido o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais durante as aulas, recreios e intervalos, em todas as etapas da educação básica, mas essa proibição não se aplica quando ocorrer o uso pedagógico desses dispositivos. Para a psicopedagoga clínica, institucional e especialista em Educação Inclusiva, Thalita Lima, “a lei deixa claro que o uso desses aparelhos eletrônicos poderá acontecer de forma planejada, dentro das metodologias utilizadas pelo professor. Isso é importante, pois sabemos que as ferramentas de tecnologia vêm oportunizando, principalmente a alunos que precisam de adaptações no ensino, êxito na vida escolar”.

Ainda segundo a especialista, “a decisão chegou em um momento crucial, oportuno, pois o uso exacerbado e totalmente sem limites, principalmente de smartphones, está ligado diretamente às dificuldades não só de aprendizagem, mas à piora de quadro de transtornos do neurodesenvolvimento, como Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Transtorno do Espectro Autista (TEA), piorando comportamento social, afetando o emocional, principalmente na infância e na adolescência”, esclareceu. Ao avaliar o que pode ser feito no caso dos estudantes dos cursos superiores de educação a distância, a psicopedagoga, que já atuou como tutora presencial no Polo UAB/UFRN de Nova Cruz/RN, deixou algumas dicas.

“É importante que esse estudante tenha uma rotina organizada, com horários definidos — inclusive, para o momento de sentar-se à frente de uma tela para estudar — prezar e priorizar na rotina um instante para ter ‘tempo de qualidade’, ir à academia, dar uma caminhada na praça, socializar com família e amigos; estipular horários para acessar as aulas, revezar com leitura de livros físicos, artigos impressos, anotações no caderno; não necessariamente se deter ao que está exposto na tela”, complementou.

Saúde mental no Brasil e no mundo

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que os casos de depressão e ansiedade aumentaram mais de 25% apenas no primeiro ano da pandemia de covid-19. De acordo com um estudo epidemiológico, a prevalência de depressão ao longo da vida no Brasil está em torno de 15,5%. Segundo a OMS, a prevalência de depressão na rede de atenção primária de saúde é 10,4%, isoladamente ou associada a um transtorno físico.

“O uso desenfreado das telas é, sim, um fator ambiental muito forte para desencadeamento de problemas psicológicos, que também impactam diretamente na aprendizagem, principalmente na primeira infância e na adolescência, mas não é o único fator. Atualmente, temos um cenário de famílias disfuncionais, no qual, ao fim do dia, cada um está no seu quarto ou no seu espaço e ninguém sabe e nem se interessa pelo que o outro está fazendo, chamar para uma conversa ou sentar-se para de fato socializar”, concluiu a psicopedagoga.

 

Fonte: UFRN

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