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Mais de 160 mil escolas extintas no Brasil: fechamento ameaça direito à educação

Publicado em 13 de Fevereiro de 2026 Por ADURN Sindicato

São alarmantes os dados sobre o fechamento de escolas no Brasil. Entre os anos de 2000 e 2024, 163.854 escolas foram extintas em todo o país, sendo 110.758 localizadas em territórios rurais e 53.096 em territórios urbanos. O cenário, segundo o Fórum Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas (FONEC), evidencia um processo contínuo de desmonte da educação pública, que atinge de forma mais severa as populações do campo.

Somente em 2024, foram 3.159 escolas extintas no Brasil, das quais 1.585 em territórios rurais e 1.574 em territórios urbanos. No mesmo ano, 31.321 escolas encontravam-se paralisadas em todo o país, sendo 18.201 em áreas rurais e 13.120 em áreas urbanas. Para o FONEC, esses números reforçam a gravidade da situação e a urgência de políticas públicas que garantam a manutenção das escolas nos territórios.

Para a secretária de Assuntos Educacionais da CNTE, Guelda Cristina de Oliveira, os dados revelam um cenário incompatível com o que a entidade defende. “Os números apresentados são alarmantes. Nós defendemos que os estudantes que estão no campo, na comunidade ribeirinha ou quilombola tenham acesso à educação no seu território, porque o projeto político-pedagógico da escola precisa ser pensado a partir da realidade desse povo”.

De acordo com o Fórum, o fechamento de escolas do campo provoca impactos diretos na vida das comunidades, como o deslocamento forçado de estudantes para centros urbanos, o aumento da evasão escolar e o enfraquecimento dos vínculos sociais e culturais. A entidade destaca que muitas dessas decisões são tomadas sem diálogo com as comunidades e desconsideram as especificidades territoriais da Educação do Campo.

Guelda reforça que o problema vai além do encerramento físico das unidades. “Quando a escola fecha e o estudante precisa ir para a cidade, ele passa a enfrentar uma realidade extremamente precária. Muitas crianças saem de casa às três ou quatro da manhã, dependem de transporte escolar de baixa qualidade e chegam cansadas. Esse estudante está em desvantagem quando comparado ao estudante urbano.”

No Nordeste, o fechamento de escolas do campo é ainda mais acentuado. Segundo o Diagnóstico das Escolas do Campo da Bahia (2025), apenas em 2019, mais de 29 mil escolas do campo foram extintas na região. Na Bahia, entre 2017 e 2021, foram registradas 20.337 paralisações e 5.521 fechamentos, evidenciando a dimensão do problema no estado.

Guelda conclui dizendo: “Não se faz educação pública de qualidade sem financiamento. Para garantir as mesmas condições de acesso para o estudante do campo, é fundamental ampliar o financiamento e assegurar escola no campo, com profissionais qualificados e estrutura adequada. O que temos visto é a adoção de uma lógica economicista que desconsidera a diversidade territorial e a realidade de cada estudante.”

Leia texto completo: CNTE

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