21 de março: contra o racismo estrutural, por uma universidade verdadeiramente justa
O Dia Internacional Contra a Discriminação Racial costuma aparecer no calendário como um momento de reflexão, mas a verdade é que pouco muda quando a data passa. No Brasil, o racismo não é uma exceção nem um desvio de comportamento. Ele faz parte da forma como a sociedade foi construída e segue influenciando quem tem mais acesso à educação, ao trabalho e aos espaços de poder.
Ao observar as universidades, nos últimos anos, a presença de estudantes negros e negras cresceu, resultado direto de políticas de ações afirmativas que foram duramente questionadas quando surgiram. Mesmo assim, entrar na universidade não significa ocupar esse espaço em condições iguais. As diferenças aparecem no dia a dia, nas oportunidades de pesquisa, no reconhecimento acadêmico e na permanência desses estudantes ao longo do curso.
A diretora do ADURN-Sindicato, Vilma Vitor, fala sobre o tema. Segundo a professora, "a luta contra a discriminação racial se intensificou após a Constituição Federal de 1988, isso porque foi incluído o crime de racismo como inafiançável e imprescritível. Outro avanço foi a lei que tornou obrigatório o estudo da História e a Cultura Indígena e Afro-brasileira nas escolas. Tudo isso provocou impactos na estrutura social e devem, portanto, serem observados e respeitados, porque, afinal, são leis e o Brasil, a cada dia, tem se mostrado ainda muito discriminatório".
Quando o racismo não é tratado como um problema estrutural, ele acaba sendo empurrado para o campo do individual, como se dependesse apenas de atitudes isoladas. Essa leitura desresponsabiliza as instituições e enfraquece a construção de políticas mais consistentes. No caso da universidade, isso significa deixar de enfrentar desigualdades que atravessam tanto a formação dos estudantes quanto as condições de trabalho de docentes e técnicos.
Para o ADURN-Sindicato, falar sobre discriminação racial também é defender a universidade pública como um espaço que precisa ser cada vez mais diverso e comprometido com a justiça social. Isso envolve garantir condições reais de permanência, fortalecer políticas inclusivas e reconhecer que não há neutralidade possível diante de desigualdades tão profundas. O 21 de março, nesse sentido, não deveria ser um ponto fora da curva, mas parte de um debate contínuo que ainda está longe de se encerrar.