62 Anos do Golpe: não há democracia sem memória, nem educação sem liberdade
Em 31 de março de 1964, o Brasil assistiu ao rompimento da ordem democrática e ao início de uma ditadura militar construída sobre perseguição, medo e violência de Estado. Décadas depois, a tentativa de transformar esse episódio em “comemoração” continua sendo um sintoma grave da forma como a sociedade brasileira lidou, ou preferiu não lidar, com a ditadura.
Quando autoridades, grupos políticos ou setores militares relativizam o golpe, o que está em jogo não é uma divergência sobre o passado, mas a naturalização do autoritarismo como projeto político. Tortura, censura, cassação de direitos, vigilância sobre opositores, intervenção sobre sindicatos, repressão ao movimento estudantil, nada disso pertence a um capítulo encerrado da história quando ainda há quem tente absolver seus responsáveis e limpar sua linguagem.
Dessa forma, não podemos esquecer dos professores e professoras que foram afastados, dos estudantes que foram perseguidos, dos centros acadêmicos monitorados, e que a autonomia universitária virou alvo permanente deste regime. O que se queria conter não era apenas a militância política organizada, mas a própria possibilidade de uma educação comprometida com o desenvolvimento social.
Não foi por acaso que sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais estiveram entre os alvos preferenciais daquele período. Onde há organização coletiva, há resistência. E onde há trabalhadores e trabalhadoras dispostos a defender direitos, há confronto direto com qualquer projeto autoritário. Lembrar 1964, nesse sentido, não é reverenciar um passado distante. É reconhecer as bases de muitas violências institucionais que ainda se atualizam no país.
Ao marcar essa data, o ADURN-Sindicato reforça que democracia, educação pública e liberdade política caminham juntas. E que nenhum projeto de universidade pode se sustentar sobre silêncio, apagamento ou conciliação com a violência.