Quarto episódio da série "Quem cuida de quem ensina?" reforça a importância do cuidado com a saúde física do docente
Pensar no cuidado com a saúde do(a) professor(a) não é, nem de longe, um privilégio ou regalia. É, na verdade, uma necessidade que ecoa pelos corredores da universidade. O dia a dia do(a) docente exige um esforço mental, como já foi tratado nos episódios anteriores, mas também muito esforço físico. Por vezes muito tempo em pé ministrando aulas, por vezes muito tempo sentado(a) corrigindo provas.
O fato de que uma rotina de atividades laborais influenciam diretamente no desempenho desse(a) profissional dentro da sala de aula, e fora dela, é algo evidente.
Dessa maneira, discutir os impactos da profissão docente na saúde física do(a) professor(a) é de extrema relevância.
O 4º episódio, que foi ao ar na última sexta-feira (7), trata, justamente, sobre isso: o corpo alerta a respeito de como funciona o dia a dia no trabalho, e como os cuidados com ele não são facultativos, e sim obrigatórios.
Para conversar melhor sobre isso, o ADURN-Sindicato trouxe o fisioterapeuta e docente do Departamento de Fisioterapia da UFRN, Wouber Hérickson, que reflete acerca do adoecimento físico dos(as) docentes devido às negligências institucionais e individuais.
Para abrir sua fala, Wouber comenta: "Quando pensamos no professor universitário, é inerente relacionar o seu trabalho a três pilares indissociáveis; o ensino, a pesquisa e a extensão. Além do envolvimento em diferentes atividades administrativas ou de gestão. Nesse contexto, normalmente associamos o trabalho do professor ao esforço intelectual, entretanto, há um aspecto que recebe pouca atenção, que são os impactos físicos dessa profissão. Isso merece ser discutido porque a saúde do professor influencia diretamente a qualidade de ensino e, consequentemente, na formação dos futuros profissionais".
O especialista destaca a logística diária do(a) professor, esclarece como hábitos comuns podem influenciar diretamente na saúde física do(a) docente: "É necessário reconhecer que a rotina do professor vai além da sala de aula e envolve açõs como preparar disciplinas, corrigir avaliações, orientar alunos, desenvolver pesquisas, escrever artigos científicos, participar de reuniões e cumprir atividades administrativas. Isso faz com que muitos permaneçam muito tempo na posição sentada diante do computador ou mesmo em pé durante suas atividades teóricas e práticas, sem pausas adequadas. Na prática clínica e na pesquisa observamos que essa combinação de sobrecarga de trabalho e permanência prolongada na mesma postura e redução da atividade física pode favorecer o aparecimento de diversos sintomas e afecções muscoloesqueléticas. Além disso, é importante destacar que o estresse ocupacional afeta não só a saúde mental, mas também predispõe a tensão muscular, favorece o surgimento de quadros dolorosos, persistentes; compromete o sono e reduz a capacidade de recuperação do organismo. Então, torna-se um ciclo que pode comprometer tanto a saúde, quanto o desempenho profissional".
Wouber, portanto, dá dicas de como melhorar a realização dessas atividades no cotidiano: "Primeiro: evitar permanecer longos períodos na mesma posição. Sempre que possível, levantar-se a cada 30 ou 60 minutos, caminhar para alguns instantes, realizar pequenos trabalhos de mobilidade e flexibilidade e variar a postura; segundo: observar a ergonomia do ambiente de trabalho. Realizar um ajuste simples, como posicionar corretamento monitor, utilizar uma cadeira com bom apoio, manter os pés poiados no chão, organizar adequadamente o teclado e mouse, ajustar a iluminação do ambiente e controlar virtuais ruídos adversos; terceiro: realizar atividade física de forma regular, essa prática faz parte de uma abordagem preventiva e terapêutica da própria profissão doocente".
Por fim, o professor e fisioterapeuta, Wouber Hérickson, faz um alerta: "O professor dedica sua carreira à formação de pessoas, à produção do conhecimento e ao desenvolvimento da sociedade. Muitas vezes cuida de todos, menos de si! Portanto, precisamos mudar essa realidade: cuidar a saúde do professor não é um privilégio, é uma necessidade. Um docente saudável ensina, pesquisa e orienta melhor, e permanece produtivo por muito mais tempo. Assim, investir na saúde do professor é investir na qualidade da universidade e, consequentemente, no futuro da nossa sociedade".
Esta é uma série demonstra o compromisso do ADURN-Sindicato com todas as demandas docentes, compreendendo que a luta por respeito, valorização e mais investimentos na educação pública brasileira perpassa pela garantia de um espaço seguro e qualificado para aqueles que fazem o ensino e o saber circularem plenamente na sociedade.
Ouça episódio de Nº 4 na íntegra AQUI!