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Professora da ECT conquista Prêmio Ciência Delas 2026 na categoria Espanha

Publicado em 21 de Agosto de 2026 Por ADURN Sindicato
Professora da ECT conquista Prêmio Ciência Delas 2026 na categoria Espanha

A professora Elisama Vieira dos Santos, vinculada à Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ECT/UFRN), foi vencedora do Prêmio Ciência Delas 2026, na Categoria Espanha, com o projeto Da recuperação de resíduos salinos a sistemas de energia sustentável: plataformas integradas para a produção de H2 e hipoclorito de sódio com acoplamento de energia renovável.

A proposta desenvolve uma tecnologia eletroquímica para aproveitar correntes salinas residuais como matéria-prima para a obtenção simultânea de produtos de interesse energético e industrial.

Criado pela Repsol Sinopec Brasil, em parceria com a Associação de Cientistas Espanhóis no Brasil (Acebra) e apoio da Embaixada da Espanha no Brasil, o Prêmio Ciência Delas: Mulheres Cientistas pelo Amanhã reconhece projetos de pesquisa e desenvolvimento relacionados à transição energética, às energias renováveis e à descarbonização. Em sua segunda edição, a iniciativa passou a contar também com o Energy Summit Global e o iUP, hub de inovação do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).

A edição de 2026 foi organizada nas categorias Brasil, Espanha e Estados Unidos. Na categoria Espanha, a vencedora recebe R$30 mil destinados a despesas relacionadas a uma experiência de networking e imersão no ecossistema de inovação do país europeu.

A proposta é aproximar pesquisadoras de centros, empresas, especialistas e iniciativas ligadas ao desenvolvimento tecnológico, favorecendo novas conexões científicas e oportunidades de cooperação internacional. O resultado da premiação foi revelado em 17 de agosto e a cerimônia está prevista para ocorrer entre 21 a 24 de setembro, durante o Festival ROG.e 2026.

Resíduos salinos como matéria-prima

O projeto apresentado pela professora Elisama parte de um problema presente em processos de dessalinização e em diferentes atividades industriais: a geração de correntes aquosas com elevada concentração de sais. O descarte inadequado desse material pode representar um desafio ambiental, principalmente em regiões onde a disponibilidade hídrica é limitada.

A pesquisa propõe utilizar a composição química dessas correntes como parte de um processo eletroquímico integrado. A plataforma é projetada para produzir hidrogênio, que pode atuar como vetor energético, e hipoclorito de sódio, composto amplamente empregado em processos de desinfecção e tratamento de água. O sistema prevê ainda o uso de eletricidade proveniente de fontes renováveis.

A estratégia busca, portanto, utilizar um mesmo processo para responder a diferentes demandas: reduzir o volume de resíduos salinos que necessitam de destinação, aproveitar espécies químicas presentes nesses resíduos, produzir hidrogênio e obter um segundo produto com aplicação industrial. A proposta aproxima conceitos de economia circular, eletrificação de processos e produção de energia de baixo carbono.

“Nosso objetivo é mostrar que uma corrente salina residual não precisa ser vista apenas como algo a ser descartado. Ela pode ser utilizada como matéria-prima para produzir hidrogênio e outros produtos de interesse, principalmente quando o processo é associado à energia renovável”, afirma a professora.

Segundo Elisama Santos, o reconhecimento também representa a consolidação de uma linha de pesquisa construída ao longo de diferentes projetos. “Receber o Prêmio Ciência Delas tem um significado muito especial, porque reconhece uma pesquisa que procura conectar problemas ambientais concretos com soluções para a transição energética”, destaca.

Pesquisa desenvolvida na UFRN

Na Universidade, Elisama Vieira desenvolve suas atividades no Laboratório de Eletroquímica Ambiental e Aplicada (Leaa). As pesquisas do grupo envolvem o desenvolvimento de materiais, eletrodos e reatores eletroquímicos, além da caracterização e validação de tecnologias direcionadas ao tratamento e à valorização de águas residuais, produção de hidrogênio, conversão eletroquímica de resíduos e obtenção de produtos químicos. Atualmente, coordena a startup ENIE, com foco no desenvolvimento de dispositivos eletroquímicos.

A proposta premiada reúne, inclusive, diferentes competências desenvolvidas no laboratório. Os estudos incluem a seleção e preparação de materiais para os eletrodos, avaliação das reações que ocorrem nos compartimentos do sistema, quantificação dos produtos gerados, determinação da eficiência energética e investigação do comportamento do processo quando são utilizadas matrizes salinas.

Outro eixo é o acoplamento com fontes renováveis. A utilização de eletricidade solar ou proveniente de outras fontes de baixo carbono permite investigar sistemas capazes de associar recuperação de resíduos e produção de produtos químicos à redução das emissões relacionadas ao consumo energético.

Categoria Espanha amplia possibilidades de cooperação

Além do reconhecimento científico, a conquista na categoria Espanha permite que a pesquisadora participe de atividades de imersão e networking no ecossistema espanhol de inovação. Elisama, que já realizou seu pós-doutorado na Universidad de Castilla-La Mancha – Ciudad Real, revela que a experiência abre espaço para aproximar as pesquisas desenvolvidas na UFRN de universidades, centros tecnológicos que trabalham com hidrogênio, eletrificação industrial, tecnologias ambientais e descarbonização de outros países.

“Esse prêmio também representa o trabalho dos estudantes e pesquisadores que participam dessas pesquisas e cria uma oportunidade importante para ampliar nossas colaborações com instituições e ambientes de inovação na Espanha”, explica.

A conquista insere a UFRN em uma premiação dedicada especificamente à participação feminina em áreas consideradas estratégicas para o futuro do setor energético. Ao reconhecer uma proposta que combina resíduos salinos, eletroquímica, hidrogênio e energia renovável, o Ciência Delas também amplia a visibilidade das pesquisas desenvolvidas no Nordeste voltadas à criação de tecnologias para uma economia de menor emissão de carbono.

Fonte: Portal da UFRN

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