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Editorial da semana

Publicado em 28 de Junho de 2009 Por ADURN Sindicato

O debate sobre os rumos do movimento docente passa necessariamente pela própria perspectiva que as correntes deste movimento têm acerca da concepção de educação superior do governo federal. Polêmico em várias áreas, o governo tem se orientado, para lastrear sua ação para o ensino superior, na inclusão e na dinamização da relação entre oferta de vaga e demanda da sociedade, buscando criar mecanismos que permitam que estas duas ações se desenvolvam plenamente.
Dentre os vários programas governamentais desse período, o destaque vai certamente para aqueles que geraram maior polêmica e que acabaram, de certa forma, pautando a discussão política no interior da categoria docente e de seus representantes: o ProUni e o REUNI. Nestes dois programas, estão localizados a essência do pensamento do governo acerca da educação superior e cuja essência é estabelecer um processo imediato de inclusão a partir das categorias mais baixas de renda e da expansão da oferta.
Ortodoxia e proposição
O Programa Universidade para Todos (ProUni) foi criado em 2004, numa perspectiva de possibilitar a entrada dos estudantes de baixa renda e que não conseguiram acesso às universidades públicas, através de financiamento para que pudesse concluir seu ciclo de ensino e aprendizado. De imediato, setores da comunidade acadêmica passaram a acusar o governo de beneficiar os empresários privados, já que a contrapartida para aqueles que aderissem ao Programa, seriam contemplados com a isenção dos tributos.
O debate acabou sendo limitado pelo “ortodoxismo militante” e ficou em segundo plano, os aspectos relativos à inserção de uma massa de estudantes de baixa renda no ensino superior. A discussão sobre o impacto dessa ação de governo para a educação e o desenvolvimento da cidadania dessas pessoas, foi suplantada pelo discurso ultra-esquerdista, que caracterizou o Programa como resultado de produto de “aliança” entre o governo e o capital privado.
Discussão comprometida
Em abril de 2007, a criação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), voltado diretamente para a política de inclusão e democratização do acesso às universidades públicas, acirrou novamente os ânimos e a extrema-esquerda, que hoje controla o ANDES-SN, iniciou, junto com o também extremista PSTU e seu braço sindical, a CONLUTAS, uma campanha de “resistência”, muitas vezes caracterizada pela truculência, e que acusava o governo de buscar desarticular toda a educação superior aumentando as vagas sem a contrapartida de adequação dessas novas vagas à estrutura física, assim como o de desequilibrar a carreira docente, que ficaria pressionada para atender essa demanda aquecida por novas vagas.
ProUni e REUNI acabaram sendo implantados pelo governo e o movimento docente, dividido e enfraquecido, foi suplantado pela dinâmica do processo. O “sindicalismo vermelho” mostrou-se inepto para tratar, de forma equilibrada, todos os aspectos a serem considerados nos dois programas e perdeu a oportunidade de intervir e propor modificações que mantivessem a perspectiva da inclusão social, assim como estabelecer uma relação mais interessante entre a expansão da oferta e a viabilização da adequação desta á nova demanda.

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