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Editorial da Semana

Publicado em 28 de Junho de 2009 Por ADURN Sindicato

Novo movimento docente
O Movimento Docente vive uma nova fase histórica que, em termos gerais, representa o fim de um ciclo. Iniciado em 1978 e cristalizado em 1982, quando 287 professores fundaram a Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES) que passa, ao lado dos Sindicatos dos Professores da rede privada (SINPRO), buscar a representação de toda a categoria. Naquele momento a criação da ANDES-SN correspondia aos interesses gerais dos professores universitários na luta pela defesa do ensino superior e pela redemocratização do país.
A pretensão, contestada por outras entidades logo após sua transformação em Sindicato Nacional (1988), de unificar a luta de todos os segmentos dessa categoria revelou-se fundamental, naquele momento, para retomada de um movimento que fora desarticulado pelo regime militar.
Passados 26 anos desde a fundação do ANDES, é incontestável o fato de que o desenvolvimento das forças produtivas trouxe profundas transformações econômicas, sociais e políticas para a sociedade. A realidade cotidiana dos professores dos diversos segmentos sofreu profundas mutações, tanto na esfera do seu trabalho, como na própria organização institucional, cujas diferenciações institucionais (federais, estaduais, municipais, particulares, confessionais, etc.), agora mais presentes dado o processo de regulamentação vivido na década de 90, foi afetada de todas as formas.
Diversidade ideológica
Esse processo histórico acirrou as contradições em todas as esferas da representação, inclusive no movimento sindical, e provocou um descolamento entre as bases e a direção do movimento. As demandas específicas foram preteridas em função da perspectiva de uma luta política divorciada, inclusive, da especificidade da categoria docente, marcada pela diversidade ideológica. Ao ignorar tal especificidade o Sindicato Nacional perdeu a capacidade política de atender as demandas dos professores das universidades federais e fez surgir correntes contestatórias em seu interior.
Um dessas correntes, formada em 2004, fundou, no último dia 6 de setembro, um Sindicato Nacional voltado para os docentes das universidades federais. Sem entrar no mérito da forma de sua fundação, contestada pela Direção Nacional do ANDES-SN, essa fundação representa uma nova fase do nosso movimento em que a unicidade sindical, tão criticada pelas duas correntes (ANDES-AD e PROIFES), agora se concretiza na realidade política. Convém lembrar que outras correntes mantêm uma postura crítica ao ANDES-SN e defendem a idéia de uma federação de sindicatos, mas são favoráveis a um novo rumo para a categoria.
Aprofundando o debate
Para a Diretoria da ADURN, eleita com 60,0% dos votos defendendo um novo rumo para o movimento docente e com uma plataforma política explícita de defesa de um sindicato ligado ao nosso segmento, esse momento se revela promissor e rompe com a esclerose organizativa do ANDES-SN. A Diretoria, em nome do espírito democrático e ciente da delicadeza política do momento, manterá a nossa categoria devidamente informada do processo político em que vivemos, preservando nossa identidade política, mas respeitando os condicionantes dados pela nossa situação organizativa.
Por outro lado a Diretoria da ADURN considera imprescindível aprofundar o debate, junto à categoria, de temas presentes no nosso cotidiano e que afetam direta ou indiretamente, a qualidade do nosso trabalho. Tais temas como PROUNI, REUNI, programas de bolsas, carga horária e jornada de trabalho, pós-graduação devem ser vistos, pelo sindicato como elementos que influenciam o trabalho docente e, por conseguinte, devem fazer parte do rol de prioridades políticas da nossa Diretoria. É fundamental participarmos do debate sobre os novos rumos do movimento docente, mas é de igual importância nosso dia a dia e os rebatimentos deste sobre nossa qualidade de trabalho e de vida.

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