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Italianas se mobilizam e derrubam popularidade de Beslusconi

Publicado em 15 de Fevereiro de 2011 Por ADURN Sindicato

A série de manifestações que no último domingo (13) levou centenas de milhares de italianos - grande parte mulheres - às ruas em cidades como Roma, Milão, Gênova, Turim e Palermo para defender a dignidade da mulher e expressar sua indignação pelos escândalos sexuais protagonizados por Silvio Berlusconi resultou na queda do primeiro-ministro nas pesquisas.
Uma enquete da Demos publicada na segunda-feira (14) pelo jornal "La Repubblica" mostra que o carismático líder é neste momento o político menos valorizado do país: entre os dez nomes propostos, o do magnata ocupa a última posição. Além disso, aponta que se houvesse eleições antecipadas, Berlusconi perderia sem apelação, ainda que não se saiba quem seria o líder da oposição.
O primeiro-ministro tentou conter a deterioração nacional e internacional dando uma entrevista ao programa "La Telefonata" do canal 5, na qual qualificou o maciço protesto popular como "uma vergonha" e como "uma mobilização falaciosa, organizada pela esquerda para apoiar o teorema judicial". Referia-se ao caso Ruby (a jovem marroquina prostituída quando era menor de idade), no qual é acusado de prostituição de menores e corrupção, e no qual arrisca 15 anos de prisão (na terça-feira a juíza de Milão deveria decidir se admite ou não os pedidos dos promotores).
Apesar de não haver referências a sindicatos ou grupos militantes, a maioria de direita viu as manifestações como um ataque político. "As pessoas que se manifestam em inúmeras cidades italianas pertencem ao movimento anti-Berlusconi promovido pela esquerda", afirma Fabrizio Cicchitto, chefe dos deputados do Povo da Liberdade (PDL, de Berlusconi).
O primeiro-ministro replicou aos que atribuem a degradação da mulher à conexão entre sua forma de exercer o poder e o estilo de suas televisões privadas: "As mulheres sabem quanta consideração tenho por elas, sempre me comportei com elas com grande atenção e respeito, em minhas empresas e no governo", disse.
Berlusconi é indiciado por prostituição de menor
A juíza Cristina Di Censo determinou nesta terça (15) que o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, seja julgado pela acusação de pagar para ter relações sexuais com uma menor e de ter usado seu poder para tentar encobrir caso. O processo deve começar em 6 de abril, já que os promotores de Milão, que apresentaram a acusação, tinham pedido um julgamento imediato para o premiê.
De acordo com o código penal italiano, para que a promotoria possa solicitar o procedimento imediato, em que não se prevê a realização de uma audiência preliminar, é necessário que exista uma prova evidente e que o suspeito tenha sido convocado a depor sobre os fatos.
O julgamento está previsto para começar às 9h30 no horário local, e será presidido pelas juízas Carmen D'Elia, Orsolina De Cristofaro e Giulia Turri, do Tribunal de Milão.
Embora Berlusconi já tenha sido julgado por acusações ligadas aos seus negócios, esta é a primeira vez que o bilionário premiê de 74 anos enfrenta um processo por conduta pessoal. Ele nega as acusações.
A Promotoria de Milão solicitou o processo perante a juíza em 9 de fevereiro. Pouco depois, Berlusconi disse que a investigação era "repugnante" e buscava prejudicar seu governo.
'Estas ações estão violando a lei, elas vão contra o Parlamento, porque os promotores de Milão não têm jurisdição; a vítima não existe e não sofreu qualquer ameaça'', afirmou Berlusconi. O premiê acrescentou ainda que ''todas estas coisas têm um objetivo subversivo''.
A defesa de Berlusconi rejeita as acusações e pede que o caso seja julgado por um tribunal especial - o Tribunal dos Ministros - já que ele estava no exercício do mandato no período ao qual as acusações se referem.
Eles também pretendem demonstrar que Ruby, ao ser presa, teria tentado mentir sobre o ano da data de nascimento, fingindo ser maior de 18 anos para os policiais. Assim, ela teria também enganado Berlusconi.
Com Agências
 

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