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Editorial da semana

Publicado em 28 de Junho de 2009 Por ADURN Sindicato

A ruptura da unicidade sindical na base do Movimento Docente, ocorrida em 06 de setembro, com a fundação do Sindicato Nacional dos Docentes das Universidades Federais, provocou o despertar do ANDES-SN que, embora desde dezembro de 2003 tivesse tido seu registro sindical suspendido por ter sua legitimidade de representação contestada (desde 1990) pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (CONTEE), e tivesse evitado essa discussão, agora se lançou numa campanha para ter – novamente – o respaldo de sua indiferente base, apelando para a sua história e seu nome.
Contraditoriamente o fim da unicidade, que sempre fora defendida pela CUT, o próprio ANDES-SN e até o recém-fundado sindicato, passou a ser contestada pela Diretoria desta. Mas a esmagadora maioria da base, alheia a essa disputa desconhece o leviatã andesiano. Desconhece como funciona essa máquina burocrática que arrecadou em 2007 R$ 5,7 milhões, dos quais R$ 129,3 mil saíram dos associados da ADURN. Desconhece que, para sustentar esse aparato sindical consumiu-se, em 2007, R$ 1,2 milhão com Pessoal e Encargos Sociais.
Burocrático e desconhecido
Depois de 27 Congressos, três Congressos Extraordinários e 53 reuniões do Conselho do ANDES-SN (CONAD) a máquina burocrática demonstra clara exaustão, não apenas da sua visão política, mas da própria organização que busca expor seus posicionamentos políticos de forma bem dinâmica, mas que não tem a mesma iniciativa em informar à sua base como funciona e se organiza internamente.
A propaganda sobre as formas democráticas de organização não revelam como essas formas são concretizadas no cotidiano dessa entidade. Sabe-se que para manter esse gigante em funcionamento o Sindicato Nacional gastou em 2007, R$ 719,8 mil com as diretorias regionais, sendo 11 espalhadas pelo país e que fazem parte da Direção Nacional, somando 83 integrantes. A Regional Nordeste II, por exemplo, consumiu R$ 61 mil, e suas ações são absolutamente desconhecidas da grande maioria dos nossos associados. Esse gigantismo burocrático levou no mesmo período, R$ 345 mil em diárias para os diretores do Sindicato Nacional e R$ 469 mil em passagens aéreas e terrestres.
Gigantismo estrutural
Os associados da ADURN, uma seção sindical do ANDES-SN, deve ser informada, por exemplo, que o ANDES-SN mantém quatro fundos de financiamento: o Fundo Nacional de Mobilização (FNM), com R$ 836,5 mil, para manter uma Comissão de Mobilização Permanente; o Fundo Nacional de Greve (FNG), com R$ 118,9 mil; um Fundo de Solidariedade, com R$ 881,6 mil, cujos propósitos precisam ser mais clarificados, e um fundo para a manutenção da Coordenação Nacional de Entidades do Serviço Federal (CNESF), com R$ 196,4 mil.
Além disso, contribui com R$ 138 mil para a organização de massa chamada de CONLUTAS. Dentro da estrutura organizacional burocrática do ANDES-SN esses fundos representam o gigantismo que exige esforços financeiros crescentes e que só podem ser bem sucedidos se a Diretoria mantiver a base em mobilização constante, ou seja, precisa de uma base concentrada em esforços políticos permanentes para financiar a ação política da Diretoria.
Torna-se evidente que uma das coisas mais prementes para o Movimento Docente é conhecer as entranhas da sua representação sindical e de ter autonomia para escolher
que ação deve financiar. A escolha, entretanto, precisa ser respaldada por um conjunto de informações, claras e objetivas e sem escamoteamento político. A transparência, carente nas práticas sindicais, precisa ser colocado como um elemento fundamental no processo de luta política.

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