ANDES - Corrente do PT critica postura da CUT de tentar criar novo sindicato docente
A Coordenação Nacional da Articulação de Esquerda, uma das correntes internas do Partido dos Trabalhadores – PT, se manifestou contrária à postura da CUT de tentar criar o novo sindicato dos docentes das universidades públicas, ao lado do Proifes, em um frontal ataque à representatividade e legitimidade do ANDES-SN.
Nota divulgada pela coordenação da corrente mostra que até mesmo dentro do PT, o partido governamental que mantém relações umbilicais com a CUT, há quem critique a postura adotada pela central de tentar, a qualquer custo, destruir o ANDES-SN, desde que o sindicato se desfiliou da CUT para manter sua postura critica em relação aos governos e partidos.
Conforme a nota, a criação do novo sindicato feriu os princípios do sindicalismo combativo (definidos no documento como "autonomia sindical, democracia com ampla participação da base, independência frente a governos, partidos e instituições"), tanto no mérito de sua realização quanto nos métodos utilizados.
A nota critica a utilização de "métodos de credenciamento antidemocráticos, com a clara finalidade de obstruir o acesso de um expressivo contingente de professores das universidades federais que tinham posição contrária à criação da nova entidade". Observa também que o emprego de votos "por procuração" fere a trajetória da CUT e pontua o quanto é inusitada a realização de assembléias na sede nacional da central.
A Coordenação Nacional da Articulação de Esquerda lembra, ainda, no documento, que é "fato público e notório que o Proifes constituiu-se, desde 2005, como interlocutor privilegiado de setores do governo nas negociações que dizem respeito ao professorado das universidades federais, sua independência é questionável, devendo portanto a direção da CUT agir com cautela, ao invés de assumir incondicionalmente o novo sindicato".
Critica, também, o fato da CUT retaliar o ANDES-SN em função da sua desfiliação da central e posterior filiação à Conlutas. Para a corrente, essa postura representa um erro grave porque "a) confunde o Andes com Conlutas e PSTU, desconhecendo que na base do Andes militam diferentes forças de esquerda, inclusive companheiros que se identificam com a CUT; b) ao partidarizar a disputa, fragmenta o movimento sindical, atacando uma entidade que tem duas décadas de história combativa em defesa da educação pública e gratuita e dos docentes do ensino superior".
Para a coordenação da corrente, "a melhor resposta que os militantes cutistas do movimento docente podem dar a esta situação é organizar-se e lutar, por meios legítimos, para que o Andes retorne à CUT e passe por um processo de democratização interna e ampliação de suas bases".