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Professora alerta que atuação do setor público precisa ser mantida

Publicado em 28 de Junho de 2009 Por ADURN Sindicato

A representante da Universidade de Buenos Aires no seminário "Modelos de Financiamento para o Ensino Superior", Ana Fanelli, alertou que "confiar em decisões espontâneas do mercado talvez não garanta, na América Latina, os recursos necessários para melhorar a qualidade da educação". Por causa das disparidades sociais verificadas na região, a pesquisadora argentina acredita que o setor público tem um papel importante na garantia de acesso igualitário ao ensino superior.
Ela apresentou um painel com as diferentes formas de manutenção do ensino superior na América Latina. Além do financiamento por rubrica, como ocorre no Brasil, Ana Fanelli destacou a possibilidade de haver contratos (adotados na Argentina, no Chile e na Venezuela) entre universidades e o governo em torno de metas; e mencionou o subsídio público indireto, uma espécie de recompensa por qualidade, oferecido aos docentes do Chile.
Recursos insuficientes
Os países latino-americanos investem pouco em educação. Segundo destacou a pesquisadora, a média de investimento público no setor em países europeus está em torno de 1% do PIB; já na América Latina, apenas Brasil (1,16%), Panamá (1,2) e Nicarágua (1,01) atingem esse patamar.
O Brasil apresenta um dos piores resultados do continente em termos de acesso ao nível superior, de acordo com dados apresentados por Ana Fanelli: apenas 8,2% dos brasileiros com idades entre 25 e 65 anos terminaram a faculdade. Apenas Honduras (4,5%) e Guatemala (4,4%) estão em pior situação. A Argentina tem o melhor resultado, com 20,1% de adultos com graduação, seguida do Panamá (16,5%) e do Chile (16,2).
O setor privado, de acordo com Fanelli, é significativo nos países latino-americanos em número de matrículas. No Brasil e no Chile, 75% dos estudantes do nível superior estão em instituições particulares. No Chile, mesmo nas universidades públicas, o ensino superior é financiado em, grande parte, pelos próprios estudantes. As instituições públicas do país cobram mensalidades que chegam a cobrir a 25% dos custos totais da formação dos alunos, segundo a especialista.
Controle excessivo
Para a professora Elizabeth Balbachevsky, da Universidade de São Paulo, o Brasil precisa rever sua concepção de instituição de ensino privado. Segundo ela, esse sistema nasceu como ilegítimo no País, e por isso é alvo de políticas marcadas "por forte viés controlador, o que não permite que ele se diversifique e busque o seu próprio nicho".
Ela acredita que o setor privado tem melhores condições de atender, por exemplo, às demandas por formação vocacional - de profissionais como chefes de cozinha e designers de moda, por exemplo.

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