Explorar
Menu
Pesquisa
Associado

Menu

Pesquisa

Editorial da semana: Enigmas e certezas da crise

Publicado em 28 de Junho de 2009 Por ADURN Sindicato

O mundo financeiro tremeu nestas últimas semanas, diante da maior e mais espetacular crise que o sistema capitalista sofrera desde os idos de 1929. Os meios de comunicação de massa pareciam estar em transe diante dos abalos sísmicos que fizeram implodir um sistema montado e estruturado a partir do capital meramente especulativo. Com uma dívida pública girando em torno de US$ 10 trilhões, a economia norte-americana, a maior do planeta, se viu desamparada pelo mercado.
Num momento de crise financeira de tal intensidade, a saída foi recuperar o Estado como elemento capaz de debelar a crise. Numa economia em que as inversões em papel se tornaram mais atraentes do que o esforço produtivo, a perda de confiança nos ativos que as movimentam, provoca uma reação em cadeia que, dependendo do grau de financeirização da economia leva a uma quebra de confiança no circuito reprodutivo do Capital, gerando uma crise de expectativa entre os agentes econômicos.
Especulação crescente
A crise financeira demonstra de forma bastante explícita de que quando o mercado assume as rédeas da dinâmica da reprodução ampliada, a tendência é a de que o lucro assuma, de forma cada vez mais rápida, a expectativa de ganhos a curto prazo, o que leva a uma especulação crescente e ao aumento dos riscos de operação. De 1980 a 2006, o PIB mundial passou de US$ 10 trilhões para US$ 48, enquanto os ativos financeiros aumentaram de US$ 12 trilhões para US$ 170, numa clara demonstração de que o capitalismo passou a se alicerçar em recursos lastreados por negócios de riscos cada vez maiores.
No Brasil, o efeito da crise tem sido amortecido pelo lastro financeiro das reservas internacionais, pela inflação sob controle, pela ação do governo em financiar os exportadores devido à valorização do dólar em relação ao real e por uma demanda interna ainda aquecida, o que poderia amortecer a perda de mercado externo das empresas brasileiras. Os indicadores de emprego permanecessem favoráveis e a renda média do trabalhador vem crescendo. Apesar disso, o saldo da balança comercial tem sido pressionado para baixo, já como reflexo da crise de crédito internacional.
Mantendo o acordo
Porém esta semana, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT), anunciou que o governo poderia rever, inclusive, os acordos já fechados com os servidores públicos, dentro da estratégia de redução de gastos do governo caso a crise chegue ao nosso país. Embora o ministro tenha suavizado posteriormente suas declarações, os trabalhadores do serviço público ficaram preocupados com tal possibilidade e isso já provocou reação dentre as principais centrais sindicais do país. O que o movimento sindical alerta é que o governo não pode rasgar os acordos assinados em nome de um ajuste que não traria nenhum benefício à população.
Nesse sentido é necessário ao Movimento Docente permanecer alerta e se preparar, caso seja necessário, para lutar pela manutenção do acordo assinado em dezembro de 2007 e que representou naquele momento uma ruptura entre a prática sindical arcaica e uma corrente que busca novos rumos.

Compartilhar: