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Avós da Praça de Maio apresentam candidatura ao Nobel da Paz

Publicado em 24 de Junho de 2011 Por ADURN Sindicato

Integrantes da associação Avós da Praça de Maio assistiram nesta quinta-feira (23) na sede da ONU de Genebra a apresentação da candidatura da entidade ao Prêmio Nobel da Paz, lançada por uma ONG para reconhecer a luta delas para encontrar os filhos assassinados durante a ditadura argentina.

Na emocionante cerimônia estava presente a presidente da organização, Estela de Carlotto, assim como uma das netas resgatadas das mãos da família do militar que a roubou após assassinar seus pais, Victoria Montenegro.
Estela afirmou que, embora o Nobel seja uma "grande alegria", o melhor prêmio são cada um dos 103 netos já encontrados, mas lembrou que ainda falta localizar outros 400 netos.
"A tarefa é difícil e com toda certeza, quando todos forem localizados, nós já não estaremos aqui para vê-los, mas deixaremos o testemunho aos nossos outros filhos e netos porque isto é uma luta coletiva", afirmou.
Para ajudar no trabalho, as avós criaram o Banco Nacional de Dados Genéticos, onde estão armazenadas as amostras de sangue de todas as avós de crianças desaparecidas, para permitir a investigação dos casos que surgirem no futuro, inclusive após a morte delas.
Estela, de 80 anos, continua à procura de seu neto, que este ano completaria 33 anos. A filha da presidente da organização, assassinada pelos militares, batizou a criança de Guido, uma busca que não vai cessar até sua morte.
"Nós avós, cada vez estamos mais velhinhas, mas, embora caminhemos devagar, o coração e a cabeça estão fortes. A tenacidade de uma avó ou de uma mãe não se perde com o passar dos anos", admitiu.
Apesar das trágicas histórias que estão por trás das Avós da Praça de Maio, também há espaço para a esperança, como se reflete no caso de Victoria Montenegro, uma das netas encontradas que resgatou sua identidade e conheceu a verdade sobre o que aconteceu com seus pais biológicos.
Victoria nasceu em 31 de janeiro de 1976. Treze dias depois do sequestro de seus pais, e posteriormente assassinato deles, ela se transformou em filha de um coronel do Exército, o mesmo que ordenou matar seus progenitores.
Segundo contou, até os 25 anos não sabia que havia sido criada pelo assassino de seus pais e quem até então a fizeram acreditar que o tema dos desaparecidos era uma farsa e que as Avós da Praça de Maio eram "velhas loucas que queriam destruir sua família cristã".
"Descobrir a verdade é muito duro porque acaba odiando a tua família, a que até então você amava, e inclusive odeia a si mesma, já que sentes que é parte de seu próprio inimigo", relatou.
Victoria agradeceu o apoio das Avós porque graças a seu "carinho" e ao trabalho de sua equipe de apoio psicológico, encontrou forças para recuperar sua identidade e o orgulho de usar o sobrenome de seus pais verdadeiros.
"Graças às Avós a memória dos meus pais continua viva, apesar da existência de um regime horrível que tentou eliminá-los para sempre. A elas devemos o que somos", disse.
A fim de promover a candidatura foi criada a ONG "Avós com a Paz", uma iniciativa civil para divulgar o trabalho das avós de esclarecer os casos de crianças roubadas na ditadura militar da Argentina (1976-1983), na qual desapareceram mais de 30 mil pessoas e 500 crianças foram sequestradas ou nasceram no cativeiro.
Fonte: Opera Mundi

 

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