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Mercado avalia que curso técnico é melhor que faculdade sem prestígio

Publicado em 19 de Julho de 2011 Por ADURN Sindicato

É mais fácil conseguir um emprego depois de fazer um curso técnico do que após terminar um curso em uma universidade sem prestígio no mercado de trabalho. A avaliação é da ex-secretária de ensino superior do MEC (Ministério da Educação), Eunice Durham.
Durham conversou com a reportagem do R7 sobre a proliferação de universidades particulares no país. Ela considera os cursos técnicos "ótimos caminhos" para jovens de classe baixa que acabaram de terminar o ensino médio.
Além de serem mais rápidos, os cursos técnicos também preparam melhor para o mercado. E, depois de empregado, o estudante pode investir em uma universidade particular reconhecida.
- É uma boa alternativa, porque a pessoa pode terminar o ensino médio e fazer o curso técnico, para depois fazer o ensino superior. Enquanto isso, o aluno arranja um bom emprego. Como são cursos curtos e rápidos, você faz enquanto está no terceiro ano [do segundo grau] e fica preparado para o mercado de trabalho. E se quiser fazer uma boa faculdade depois, pode, porque já tem um emprego para pagar.
Mas para os que não abrem mão de fazer uma faculdade, Durham aponta os cursos tecnológicos como boa opção. A ex-secretária do MEC - que atualmente é professora da FFLCH-USP (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP - destaca o aumento da procura por estes tipos de carreira.
Ela considera que os cursos tecnológicos garantem mais a obtenção de um emprego do que cursos de graduação teóricos.
Segundo o último Censo da Educação, divulgado pelo ministério no início deste ano, o interesse por cursos tecnológicos vêm crescendo nos últimos anos. De 2008 para 2009, a procura aumentou 26%. Foram registradas 680,6 mil matrículas em 2009, enquanto no ano anterior, o número ficou em 539,6 mil. Há dez anos, os estudantes de cursos tecnológicos eram apenas 70 mil.
- Começou o interesse pelos cursos tecnológicos, pois alguns são muito bons. Dá mais emprego e são frequentemente mais úteis que um curso teórico. Os cursos técnicos e tecnológicos constituem boa alternativa, já que o ensino nas [universidades] públicas e privadas dessa área é sério. Claro que ter um diploma universitário [comum] não prejudica. Mas também não garante uma situação vantajosa. Hoje, sem [ter] competência, só com o diploma mesmo, você não consegue progredir.
Operação limpeza
Apesar de reconhecer a importância do ensino superior privado, a antropóloga Eunice Durham critica a forma como o segmento se desenvolve no Brasil. Para ela, o governo deveria adotar medidas para acabar com o crescimento de faculdades particulares ruins.
- Eu acho que precisa fazer uma operação que chamo de “limpa-lixo”. Se crescerem as [faculdades privadas] com boa qualidade e houver pessoas para pagar, eu não vejo problema. O que me incomoda é a nossa própria concepção de ensino superior, que está muito antiquada e defasada. Em vez de termos bons cursos de vários tipos, temos um mesmo tipo de curso com diferenças de qualidade.
Além do crescimento ininterrupto de faculdades particulares, Eunice se preocupa também com o desenvolvimento do ensino à distância. Para os estudantes que consideram a possibilidade de fazer uma graduação por este sistema, a professora faz um alerta.
- Eu creio que o maior problema está nos cursos à distância. Não há fiscalização [por parte de órgãos reguladores] e o curso tem que ser inteiramente concebido de maneira diferente do presencial. É muito trabalhoso montar o curso e acompanhar os alunos durante a graduação. Só que as pessoas estão pensando que [montar um curso à distância] é só contratar meia dúzia de professores, colocar cada um em frente a um computador e depois entregar o diploma. A questão é muito mais séria. Na minha opinião, [essa área] é onde ocorre uma proliferação mais desenfreada.

Portal R7

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