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Editorial da semana - Obama: esperanças e novos rumos

Publicado em 28 de Junho de 2009 Por ADURN Sindicato

A vitória do democrata Barak Obama, derrotando o grupo conservador que governava os EUA desde 2000, representa, na sua essência, a esperança de mudança para uma sociedade marcada pelo forte poderio econômico e militar, e por uma estrutura social que, apesar da aparência, é caracterizada por fortes tensões raciais e econômicas.
Não se trata apenas e tão somente da cor de Obama, o primeiro presidente negro da história de um país que sofreu as mazelas do segregacionismo e da violência racial. Mas, a sua cor representa um símbolo de esperança de mudança, uma mudança que pode trazer reflexos positivos na própria sociedade norte-americana.
Uma nova ótica mundial
A mobilização de importantes segmentos da sociedade, principalmente os negros e latinos; o posicionamento dos sindicatos e dos movimentos sociais e a presença dos jovens, representaram um momento em que a desmobilização causada pelo ultra-conservadorismo do seu antecessor, expresso no dacroniano Ato Patriótico, sofreu um revés. As forças democráticas e progressistas se posicionaram ao lado dos democratas nesse embate eleitoral.
Obama, ao longo da campanha eleitoral, acabou por agregar um forte sentimento da necessidade de distender o modo de fazer política dos EUA, marcado pelo belicismo e por ações deletérias e criminosas contra nações soberanas. O mundo viu no democrata a possibilidade de pôr fim a esse processo.
Além disso, questões como o meio-ambiente e imigração passam a ter a possibilidade de serem discutidas a partir de uma nova ótica. Basta lembrar que um dos baluartes da luta contra o processo de degradação ambiental no mundo, o ex-vice-presidente Al Gore, colocou-se na firme defesa da candidatura democrata.
Perspectiva de mudança
Um sistema eleitoral esclerosado e anacrônico, que a cada processo eleitoral dá mostras visíveis de esgotamento, não impediu que esse movimento se espraiasse por todos os Estados Unidos, pela América, recebendo a simpatia até de adversários como Chávez, Raul Castro e Moráles, e conseguiu até ser bem vista pelos líderes iranianos, que passam a crer que o estilo Barak Obama poderá trazer uma nova postura nas relações internacionais.
Por outro lado, a forte crise econômica norte-americana, provocada pela opção econômica seguida por W. Bush passa a ser o grande desafio da nova administração, que terá a maioria na Câmara de Representantes e no Senado. Obama, nesse sentido, passa a ser encarado como um presidente que terá diante de si a tarefa de recuperar a economia norte-americana e diminuir os impactos dessa crise nas camadas mais pobres da população, que já estão sendo afetadas.
A eleição do democrata Obama trás, portanto, a esperança de que o mundo encontre o caminho da multipolaridade, de respeito à soberania dos povos e que a perspectiva de mudança se concretize para a sociedade, e especialmente para os trabalhadores norte-americanos.

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