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Editorial da Semana:Trabalhadores contra a crise

Publicado em 28 de Junho de 2009 Por ADURN Sindicato

Nesta semana intensificou-se o movimento pela organização de uma marcha que pretende reunir 15 mil trabalhadores na Esplanada dos Ministérios, no próximo 3 de dezembro, e que representa o primeiro grande ato unitário envolvendo as seis centrais sindicais do Brasil : a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Força Sindical (FS), a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) e a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).
A unidade destas centrais remete-se diretamente ao processo de crise da economia capitalista mundial e cujos reflexos mais sentidos estão entre os trabalhadores dos países mais atingidos. Não é a toa que a bandeira desse movimento das centrais é que “os ricos paguem a crise do capitalismo”. O que mobiliza as centrais é a exigência de que o governo não faça recair sobre os trabalhadores brasileiros o peso da crise do sistema.
A marcha reivindicará a redução imediata da taxa de juro e do superávit primário, dois mecanismos da política macroeconômica que entravam o crescimento do país, e a geração de emprego e renda, o que é um consenso entre os que organizam a marcha. Também será exigido o controle da remessa de lucros e do fluxo de capitais. As centrais ainda pleitearão que qualquer recurso público destinado às empresas seja acompanhado de contrapartidas sociais, com destaque para a estabilidade no emprego.
Outras reivindicações das centrais tratam da redução da jornada de trabalho, a ratificação da Convenção 158 da OIT (contra demissões imotivadas), a adoção de medidas anticíclicas com base nos recursos públicos, com o uso do FGTS e do FAT em empreendimentos habitacionais, e a continuidade do acordo firmado pelo presidente com as centrais de valorização do salário mínimo. Também serão defendidas a ampliação do prazo de validade do seguro-desemprego e a extensão deste benefício para os assalariados agrícolas.
A importância desse evento não está apenas no seu tamanho, mas na sua essência: unificar as demandas dos trabalhadores. Nesse sentido as divergências que existem entre as diversas correntes do sindicalismo serão postas de lado para a defesa do seu público-alvo, no caso a classe trabalhadora. A Intersindical, que sofre a influência direta do PSOL e a CONLUTAS, controlada pelo PSTU não participarão dessa grande manifestação, demonstrando sua incapacidade de construir acordos políticos que venha a defender o interesse da nossa classe.
Além das bandeiras já expostas, algumas centrais, entre elas a CTB, têm exigido do governo um posicionamento claro a respeito dos ataques que os servidores públicos já começaram a sofrer, sendo novamente responsabilizados pelo “excesso” de gastos do governo. Os sindicalistas exigem o cumprimento do acordo feito com os servidores, a manutenção da política de reposição inflacionária, a continuidade dos concursos públicos e o aprofundamento do debate acerca dos recursos destinados a educação pública superior.
A Diretoria da ADURN apóia ostensivamente essa manifestação, que representa um momento de união dos trabalhadores e no espírito da democracia e da convivência de correntes com visões políticas diferente, enxerga nessa marcha um instrumento de pressão contra quaisquer movimentos do governo que signifique o sacrifício das nossas conquistas.

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