Sociedades científicas da educação divulgam carta sobre o Programa Ciência Sem Fronteiras
As associações de pesquisa no campo da educação abaixo-assinadas cumprimentam vossas senhorias pelo lançamento do programa Ciência sem Fronteiras, recentemente lançado pelo governo federal. Gerenciada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior (CAPES), a iniciativa prevê a concessão 75 mil bolsas de estudos no exterior nos próximos quatro anos nas áreas de engenharia, tecnologia e biologia para realização de estudos em universidades europeias e norte-americanas, bem como a atração de estudantes e pesquisadores estrangeiros.
Considerando a importância do referido programa, concebido para promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira, por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional, estranhamos a ausência de estudantes e pesquisadores envolvidos com a pesquisa educacional como bolsistas potenciais.
Consideramos que o avanço desejado nos campos contemplados deveria igualmente atender a área de educação, não apenas pelo que a iniciativa pode trazer de enriquecimento e inovação na formação dos quadros nesta área, mas também pela relevância estratégica na constituição de bases essenciais ao desenvolvimento científico e tecnológico em nosso país, questão amplamente reconhecida e debatida nos fóruns em que se discute o horizonte da ciência e da tecnologia no Brasil e no exterior.
Ressaltamos que o programa e as metas estabelecidas indicam o compromisso do governo com a elevação da qualidade dos nossos pesquisadores, obtida, em alguns casos, com o conhecimento de experiências internacionais. No cumprimento dessas metas, acreditamos que a pesquisa educacional, compreendida como elemento estratégico para o desenvolvimento científico e tecnológico, deve estar incluída no programa, tendo em vista que a área, como sabemos, requer investimentos regulares para poder concretizar o esperado salto de qualidade em termos de inclusão social, inovação pedagógica e estudo aprofundado das experiências educacionais em curso.
Por fim, gostaríamos de sugerir uma revisão no que diz respeito à exclusão dos países da América Latina do programa, reconhecendo que países da região possuem massa crítica de ponta em diversas áreas do conhecimento, inclusive na educação.
Aproveitamos para nos colocar à disposição, tendo em vista o nosso compromisso em colaborar para construirmos uma ciência sem fronteiras.
Jornal da Ciência