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Editorial da semana: Crepúsculo de uma entidade

Publicado em 28 de Junho de 2009 Por ADURN Sindicato

Uma das grandes lutas populares da sociedade brasileira ocorreu no último quarto do século XX, pela democratização da vida política nacional. Mais precisamente a partir de 1985, com o restabelecimento do Estado democrático representativo. O movimento docente participou desse processo, aglutinando a categoria dos professores do ensino superior sob o guarda-chuva político da ANDES, que a partir de 1988 passou a denominar-se o ANDES-SN, deixando de ser Associação para virar Sindicato Nacional.
Um dos aspectos mais presentes no processo de desenvolvimento das relações sociais, é a dinâmica que está presente nestas ditas relações. As formas de representação não são estáticas e nem impermeáveis às transformações sociais e políticas. Portanto, os agentes políticos se movimentam e se organizam de acordo com o grau de desenvolvimento da sociedade. E a democratização, que tem avançado nesse país, exige que todos os entes que querem fazer-se representante de alguma categoria, grupo social, etc, adéquem suas instâncias internas, aprofundando cada vez mais a participação das bases nos processos de discussão e deliberação.
O XXVIII Congresso do ANDES-SN, que está com seu registro sindical suspenso desde dezembro de 2003, realizado recentemente em Pelotas (RS), demonstra claramente que quando uma organização mergulha na ortodoxia e fossiliza suas estruturas internas, acaba por se distanciar da realidade que a cerca. A pretensão de barrar as discussões que tem se desenvolvido na categoria docente, especialmente das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), através de medidas restritivas, é inócua quando boa parte dessa mesma base já questiona a representatividade do ANDES-SN.
Numa manobra descabida, a Assembléia, que não fora convocada para isso, resolveu alterar, de forma casuística, o Estatuto do ANDES-SN, proibindo o voto por procuração. Não em nome do aprofundamento da democracia interna, uma falácia repetida enfadonhamente pelas diretorias que tem dirigido a entidade, mas para supostamente proteger o sindicato de ataques das Associações Docentes (AD’s) rebeldes, como observou cinicamente o ex-presidente Roberto Leher, famoso por seus discursos truculentos.
Não se trata de defender ou atacar o voto por procuração, mas sim de deixar claro que uma estrutura verticalizada e anacrônica, como é a do ANDES-SN, é uma ameaça concreta à autonomia das supostas seções sindicais. A “proibição” só revela o temor que impulsiona a elite dirigente do ANDES-SN por fechar-se sobre si mesmo. Por que não debater com as bases sobre o real significado político do voto por procuração, quando é mais fácil simplesmente proibir o debate? Essa é a lógica da truculência, e foi ela que prevaleceu no Congresso.
O obscurantismo do ANDES-SN não parou por ai. Numa outra votação os delegados desconsideraram a autonomia das ditas seções sindicais e simplesmente rejeitaram a realização de um plebiscito, a ser feito nas suas pretensas bases, que perguntasse às mesmas se a Direção Nacional deveria aceitar, ou não, a negociação com a CONTEE, sob o argumento de que aquele era um assunto superado.
A face anti-democrática do ANDES-SN finalmente se revelou de forma clara e direta. Não se trata de aprofundar o debate acerca da crise que está presente na nossa organização sindical, mas de escamoteá-la, de impedir sua discussão madura e respeitosa. O definhamento ideológico dessa entidade chegou ao seu ápice e o “ortodoxismo” o levou a produzir decisões absolutamente destoantes da evolução democrática da sociedade brasileira.
A Diretoria da ADURN, rompida politicamente com o ANDES-SN, rejeita terminantemente que uma entidade vertical e anti-democrática, ataque sua autonomia e alerta a categoria docente da UFRN, que é necessário construir uma organização verdadeiramente democrática, plural e independente, que aprofunde o debate democrático com suas bases e que se torne o efetivo representante dos professores da UFRN.

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