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Sindicato se posiciona sobre proposta de “período suplementar excepcional” apresentada pela UFRN

Publicado em 29 de Maio de 2020 Por ADURN Sindicato
Sindicato se posiciona sobre proposta de “período suplementar excepcional” apresentada pela UFRN

O ADURN-Sindicato - a caminho dos seus 41 anos de existência defendendo os interesses da categoria, os ideais democráticos, base de sua criação e existência, e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte - se defrontou, em março, com a mais devastadora pandemia já enfrentada pela humanidade em mais de cem anos, tendo como consequência, a suspensão das aulas presenciais, colocando o calendário acadêmico do período 2020.1 em processo de espera.

Desde então, o Sindicato vem acompanhando de perto os desdobramentos dessa situação e os efeitos que a pandemia tem tido entre os docentes. Assim, esteve sempre à disposição para o diálogo, já que essa conjuntura nova e inusitada, pressionou toda a comunidade acadêmica a olhar para o presente e o futuro da nossa atividade-fim.

Na última semana o Sindicato teve o conhecimento de que a Pró Reitoria de Graduação (PROGRAD) estaria enviando aos Departamentos e Unidades Acadêmicas, uma proposta chamada de “período suplementar excepcional”; uma minuta de resolução  sobre a regulamentação da oferta remota e opcional de componentes curriculares e de atividades de ensino e de aprendizagem para estudantes de Cursos Técnicos de Nível Médio em Período Suplementar Excepcional e uma minuta que aprova calendário relativo ao Período Suplementar Excepcional 2020.3, com prazo de implementação de todo esse rol de propostas para 03 e 04 de junho, ou seja, para daqui a cinco dias.

O Sindicato, que por força de lei representa os 2.300 professores da ativa, visto que a representação pelas normas vigentes é da categoria, através de sua Diretoria, viu com muita preocupação a forma e o conteúdo da proposta. Isso porque, alguns pontos não ficaram esclarecidos, como por exemplo, sua base de sustentação.

A rigor, de acordo com o “power point” distribuído pela Equipe da PROGRAD, a proposta está em discussão, restando a essa Diretoria indagar aos proponentes, em que fórum essa discussão foi feita e onde se encontra as minutas das propostas que vão ser votadas na segunda feira, dia 1º de junho, no CONSEPE? As informações e conhecimento sobre a proposta são imperativos para que a Diretoria tenha elementos substantivos para opinar sobre ela. 

Além disso, a proposta cria um período suplementar excepcional para a graduação no formato remoto e opcional de componentes curriculares sem apontar as condições materiais/tecnológicas, para o acesso dos estudantes, deixando a cargo do professor e da unidade exclusivamente a execução e a operacionalização. A minuta sequer aponta um programa e/ou projeto de formação e treinamento para capacitar os docentes no uso de plataformas, softwares, aplicativos e na prática da gravação, produção e edição de vídeos.

As atividades acadêmicas emergenciais propostas para a pós-graduação, ensino superior, ensino básico, técnico e tecnológico vêm para mitigar - pelo que se entendeu do documento - os efeitos da pandemia no calendário acadêmico. Porém, não informa em que dados e elementos técnicos está lastreada. A Diretoria pressupõe que elementos estatísticos tenham corroborado para que essa proposta tenha sido feita, mas seria republicano que a comunidade como um todo, fosse informada desses elementos, até mesmo para, a partir desses dados, abrir um debate sobre a proposta em si.

A proposta de um "calendário suplementar excepcional" não pode dar margem para um calendário substitutivo e lastrear a precarização das condições de trabalho e a exclusão das pessoas, sobretudo dos discentes, mas também dos docentes que não possuem formação para uso das tecnologias ou mesmo aqueles cuja área do conhecimento e natureza das atividades acadêmicas não se enquadrem no formato remoto.

Defendemos a deflagração de um processo de trabalho que permita a construção de um planejamento plural, democrático e inclusivo, com todos os segmentos da comunidade acadêmica.

A Diretoria entende que é mister termos conhecimento dos resultados dos questionários, distribuídos recentemente, para que tenhamos uma melhor percepção do cenário, no que concerne ao universo de professores e alunos, e possamos ter a capacidade política de relacionarmos os resultados dos questionários com a proposta em tela.

Defendemos que os debates sobre as formas de retorno às atividades sejam realizados levando em consideração as especificidades do “universo acadêmico” e os condicionantes que nortearão a relação entre a UFRN e os professores, alunos e servidores técnico-administrativos, tornando a discussão mais ampla e democrática.

Ressaltamos que o Sindicato esteve reunido, em três ocasiões, com a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGESP), para debatermos acerca das consequências laborais da pandemia e fomos, inclusive, convidados a compor um Grupo de Trabalho da PROGESP sobre “trabalho remoto”, revelando nossa disposição para o diálogo propositivo.

Diante do exposto, a Diretoria do ADURN-Sindicato reitera que mantém a defesa no diálogo, no debate, na troca de informações e na convergência de interesses entre a representação docente e a UFRN, mas expressa sua preocupação com a forma de como essa proposta foi apresentada e de como isso pode gerar uma instabilidade pedagógica dentro da Instituição e, por isso, defende a suspensão dessa proposta até que sejam fornecidos elementos estatísticos para que a representação docente possa se debruçar, de forma qualitativa, sobre ela  e, inclusive, sobre a retomada das atividades acadêmicas.

 

Veja o pronunciamento do presidente do ADURN-Sindicato abaixo:

 

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