Manifestação no Dia da Consciência Negra reforça luta contra governo racista
Neste sábado (20), Dia da Consciência Negra, diversos movimentos sociais, entidades e sindicatos voltam a ocupar as ruas em todo o país. O ato se integra à agenda dos coletivos negros e ativistas independentes que organizam manifestações anualmente nesta data para relembrar Zumbi dos Palmares e celebrar o Novembro Negro.
A pauta principal será a luta contra o racismo. De acordo com o Atlas da Violência 2021, a chance de uma pessoa negra ser assassinada no Brasil é 2,6 vezes superior àquela de uma pessoa não negra, e nos últimos meses há um agravamento da situação. Em outubro, uma delegada negra foi barrada na loja Zara, em Fortaleza (CE). Antes disso, o Brasil já presenciou a morte de João Alberto no Carrefour e assistiu ao assassinato de George Floyd nos Estados Unidos, assim como inúmeros outros casos, diários, motivados pela cor da pele.
Com o mote #ForaBolsonaroRacista, os manifestantes pretendem denunciar a política de morte e desemprego de Jair Bolsonaro, como explica Mercês Santos, secretária-geral adjunta da ADURN-Sindicato: “O ato do próximo dia 20 de novembro, dia dedicado para reflexão do racismo no Brasil e a celebração da nossa resistência, da resistência negra, da negritude, representa a compreensão de que a luta contra o racismo está diretamente ligada à derrota do facismo que ocupa a presidência.”
Desde a mortalidade causada pela pandemia, passando pelo aumento da fome e o fechamento de postos de trabalho, as maiores vítimas são da população negra. Assim, os organizadores defendem a unidade das pautas contra o governo e contra o racismo para novamente mobilizar a população.
“Dados apontam que a população negra (pretos e pardos) é mais prejudicada pelo desemprego, pela carestia e pela fome que foram agravadas em decorrência de um governo racista. Os ataques à nossa cultura, aos direitos dos povos quilombolas, o aumento de casos de racismo religioso contra as religiões e comunidades de matriz afro-brasileira, os discursos racistas promovidos em seu governo, refletem a desvalorização da vida negra”, frisa Mercês Santos.
“Convocamos os trabalhadores e trabalhadoras da educação, da saúde, da cultura e a população em geral a defender a promoção da igualdade racial, da vida, da democracia e do emprego. Vamos todos, todas e todes lutar contra a fome e a carestia. Contra a PEC-32, que atingirá mais a população negra e as mulheres. Vamos lutar pelo serviço público no nosso país. Essa luta é de todos os brasileiros que almejam uma sociedade mais equânime e mais justa”, complementa a secretária-geral adjunta do ADURN-Sindicato.
Em Natal, a concentração do ato será no Midway Mall, às 15h.