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Servidores criticam portaria que permite salários acima do teto para quem tem mais de uma remuneração

Publicado em 20 de Maio de 2022 Por ADURN Sindicato
Servidores criticam portaria que permite salários acima do teto para quem tem mais de uma remuneração

Confederação afirma que a norma foi editada para beneficiar 8.500 militares que têm cargos no governo

Elaine Menke/Câmara do Deputados
Audiência Pública - Obras Inacabadas. Dep. Jorge Solla PT - BA
Ministério da Economia foi convidado, mas não enviou representante à audiência

Representantes de servidores públicos criticaram nesta quinta-feira (18), na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, a permissão para que servidores civis e militares somem rendimentos de aposentadoria e reforma com os valores de cargos comissionados sem estarem sujeitos ao abate-teto. O abate-teto é a regra que limita os salários do serviço público à remuneração de um ministro do Supremo Tribunal Federal, que atualmente é de R$ 39.200. Uma portaria editada em abril de 2021 admite que o abate-teto incida apenas sobre cada remuneração em separado e não sobre a soma delas.

Na prática, como a maior comissão é de R$ 17.327, a remuneração poderia chegar a pouco mais de R$ 56.500. Victor Nogueira, da Advocacia-Geral da União, disse que a portaria apenas segue decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e um parecer do Tribunal de Contas da União (TCU). “Entendeu o Supremo que, nessas situações, haveria uma lícita acumulação de proventos com cargos da ativa, e seria possível a incidência do teto de forma isolada. E que essa incidência resguardaria a isonomia e a devida contrapartida pelos serviços prestados em ambos os vínculos”, explicou.

Para Eduardo Ferreira, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, a decisão do STF beneficia apenas profissionais das áreas de saúde e educação que têm permissão constitucional para acumulação de rendimentos.

Para Sérgio Ronaldo da Silva, da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal, é preciso levar em conta que os servidores em geral estão sem reajuste há cinco anos, e a portaria foi editada em pleno esforço fiscal por causa da pandemia. “Pode até ser legal essa portaria. Agora, moralmente, na situação que estamos, é questionável. Nós sabemos, os objetivos são claros: contemplar os mais de 8.500 militares que estão distribuídos na administração pública”, lamentou.

O deputado Jorge Solla (PT-BA), que requereu a audiência, criticou a ausência do secretário de Gestão e Desempenho de Pessoal do Ministério da Economia, Leonardo Sultani, no debate. Ele foi convidado, mas não foi nem mandou representante. Solla afirmou que vai consultar a comissão sobre as providências que podem ser tomadas neste caso.

Reportagem - Sílvia Mugnatto
Edição - Geórgia Moraes

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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