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Datafolha: um em cada quatro brasileiros convive com a fome

Publicado em 28 de Junho de 2022 Por ADURN Sindicato

Mais pobres são os mais afetados pela insegurança alimentar. Entre as pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos, 38% dizem não ter comida suficiente em casa para suas famílias

 

Dayse Euzebio/Prefeitura João Pessoa-PB
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Custo da comida no dia a dia tem sido preocupação entre os brasileiros, impactados
pela precarização dos empregos, a queda da renda e a inflação
 

 

Pesquisa Datafolha divulgada nessa segunda-feira (27) detalha a crise humanitária provocada pela volta da fome no Brasil. O estudo revela que 26% dos brasileiros afirmam não ter comida suficiente para alimentar seus familiares. No levantamento anterior do instituto, divulgado em março, 24% disseram não ter comida suficiente em casa. A variação ainda está dentro da margem de erro da pesquisa, de 2% para mais ou para menos. Mas também pode significar aprofundamento da crise humanitária, ante a inflação, a queda de renda da população e o desemprego.

Segundo a pesquisa, apenas 62% dos brasileiros afirmam ter comida suficiente, enquanto outros 12% disseram que em suas casas sobra comida. Esses percentuais se mantêm praticamente inalterados desde o início dos levantamentos, em maio de 2021.

A pesquisa confirma que os mais afetados pela falta de alimentos são os mais pobres. Entre as pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos (R$ 2.424), 38% dizem não ter comida suficiente. Na faixa dos que recebem entre dois e cinco salários mínimos (R$ 6.060), esse percentual é de 14%.

Por outro lado, a falta de alimentos é realidade para somente 4% entre os que recebem até dez salários mínimos (R$ 12.120).

Tragédia brasileira

A falta de comida atinge com mais força as populações da região Nordeste, onde 32% dizem ter menos comida do que o suficiente, e Norte (30%). Na região Sul esse percentual cai para 24%, mesmo índice registrado no Centro-Oeste. E é de 22% na região Sudeste.

Entre os desempregados, 42% disseram não ter o suficiente para se alimentar. O problema afeta 39% das pessoas que disseram ter desistido de buscar trabalho; 38% das donas de casa e 27% dos autônomos.

Segundo o Datafolha, além da alta nos preços, o retorno do emprego com funções precarizadas e de baixa remuneração e o acúmulo de incertezas quanto ao ambiente político e econômico nos próximos meses fazem do custo dos alimentos uma preocupação central dos brasileiros.

O Datafolha ouviu 2.556 brasileiros em 181 cidades, nos dias 22 e 23 de junho.

Fome no Brasil atinge 33,1 milhões

Um estudo divulgado no início do mês mostra que 33,1 milhões de pessoas no Brasil estão em situação de fome.

De acordo com o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, o país tem 14 milhões de pessoas a mais em situação de insegurança alimentar atualmente do que há um ano. Os principais motivos para o avanço da fome são a falta de políticas públicas, agravadas pelo cenário da pandemia.

A pesquisa revelou que 58,7% da população brasileira convive com a insegurança alimentar em algum grau – leve, moderado ou grave (fome). Atualmente, apenas quatro em cada 10 domicílios brasileiros conseguem manter acesso pleno à alimentação, ou seja, estão em condição de segurança alimentar.

Em números absolutos, são 125,2 milhões de brasileiros que passaram por algum grau de insegurança alimentar entre o final do ano passado e os primeiros meses desse ano. Trata-se de um aumento de 7,2% desde 2020, e de 60% em comparação com 2018.

Fonte: Rede Brasil Atual

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