Covid deixa pelo menos uma sequela em 65% dos infectados no Brasil, revela estudo

Publicado em 19 de agosto de 2022 às 13h57min

Tag(s): Pandemia de coronavírus Saúde



Perda de olfato ou paladar foi o problema de maior prevalência, relatado por cerca de 30% dos pacientes. Inquérito levou em conta casos de 9 mil pacientes durante o primeiro trimestre de 2022

A covid-19 deixou pelo menos uma sequela em 65% dos infectados no Brasil. É o que revela o Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis em Tempos de Pandemia (Covitel), realizado pela organização de saúde Vital Strategies e pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), em parceria com outras entidades, como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

O estudo foi realizado por ligação telefônica em todas as regiões do Brasil. No total, foram entrevistados cerca de 9 mil participantes durante o primeiro trimestre de 2022. De acordo com a reportagem, cada participante poderia indicar, durante a pesquisa, mais de uma complicação que surgiu após a infecção. Entre os entrevistados, a perda de olfato ou paladar foi o problema de maior prevalência: cerca de 30% dos que foram infectados pelo Sars-CoV-2 relataram o problema. 

Também conhecidas como Covid longa, as sequelas em decorrência da covid ainda são pesquisadas pela comunidade médica e científica. Mas restam dúvidas de como o vírus causa essas condições após a fase aguda da doença e também qual é o período em que elas persistem. Um estudo publicado no dia 25 de julho na revista científica Natura Medicine apontou para 62 sintomas mais comuns. Na lista estão problemas como falta de libido, dificuldade de ejaculação, perda de cabelo e insônia. 

Índice de sequelas é grave

O resultado final, de 65% dos pacientes com sequelas, impressionou, contudo, os estudiosos. A avaliação da assessora técnica em epidemiologia e saúde pública da Vitar Strategies, Luciana Sardinha, uma das pesquisadoras que lideraram o inquérito, é que as incertezas sobre a duração das complicações podem impactar os sistemas de saúde. À reportagem, Luciana afirma que já existe uma sobrecarga de atendimento em função dos procedimentos que foram paralisados durante os momentos de pico da pandemia. 

Com as sequelas, outros problemas de saúde ocasionados pela covid devem perdurar no país. “Percebemos que é muito grave (o índice de sequelas no Brasil) e isso precisa ser olhado agora que as coisas estão se normalizando em relação à Covid”, destaca. 

Continuar se prevenindo

O dado também alerta que, apesar das vacinas, a população precisa continuar com as medidas preventivas, como uso de máscara e higiene das mãos. Do contrário, “a saúde pública vai estar sobrecarregada com isso (sequelas da covid)”, conforme ressalta a epidemiologista Lígia Kerr, vice-presidente da Abrasco e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC). Há estudos, segundo a epidemiologista, que já evidenciam que a reinfecção pelo vírus ocasiona maiores chances para o surgimento de covid longa

Lígia também alerta que a covid-19 pode piorar condições pregressas de pacientes que já têm doenças crônicas, como diabetes. O que pode pressionar ainda mais o Sistema Único de Saúde (SUS). “As doenças crônicas têm um componente de custo alto”, conclui a epidemiologista. 

Fonte: Rede Brasil Atual

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