Explorar
Menu
Pesquisa
Associado

Menu

Pesquisa

Vitória do povo: Senado barra PEC da Blindagem

Publicado em 26 de Setembro de 2025 Por ADURN Sindicato

Atendendo ao desejo do povo brasileiro que promoveu gigantescas manifestações, que reuniram centenas de milhares de pessoas em todo o país, contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) das Prerrogativas (nº3/2021), conhecida como PEC da Blindagem e PEC da Bandidagem, que exigia autorização prévia do Congresso para abertura de ação penal contra parlamentares, o Senado Federal rejeitou nesta quarta-feira (24) a proposta que havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados. Uma PEC para passar a valer precisa ser aprovada tanto pela Câmara Federal como pelo Senado.

A PEC da Blindagem foi rejeitada por unanimidade na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) que é formada por 27 senadores titulares e 27 suplentes, sendo presidida atualmente pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), tendo o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) como seu vice-presidente. O relator de uma PEC, que analisa o texto, é indicado pelo presidente da Comissão.

PEC foi enterrada no relatório

O relator da PEC na CCJ, senador Alessandro Vieira (MDB-SE) ao ler o seu relatório disse que o texto aprovado pelos deputados federais servia para “satisfazer interesses particulares e espúrios” e que “a proteção de mandatos parlamentares não é compatível com a criação de obstáculos para crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e homicídios”.

Vieira também criticou o voto secreto que deputados queriam impor na hora de votarem se seus colegas no Congresso poderiam ser processados ou não. Para o senador, isso impediria a sociedade de escolher seus parlamentares baseada na conduta e posição de cada um.

“O objetivo da PEC da Blindagem é proteger quem comete crimes graves”, disse o senador.

Alessandro Vieira lembrou ainda que antes de 2001, último ano em que o Congresso decidia quem poderia ser processado ou não, apenas um deputado acusado de assassinato e tráfico de drogas perdeu o seu mandato.

Por fim considerou o texto da PEC como inconstitucional.

Entenda a tramitação da PEC

Para uma proposta de alteração da Constituição entrar em vigor tem que ser aprovada com texto idêntico na Câmara e no Senado. Quando uma PEC é barrada ela é encaminhada ao presidente do Senado para ser arquivada. Após esse arquivamento, há prazo de dois dias para a apresentação de um recurso solicitando que a proposta rejeitada na CCJ seja votada no plenário. Neste caso é preciso o apoio de 10% dos 81 senadores. No entanto, ainda é preciso acordo entre as lideranças partidárias e Davi Alcolumbre, atual presidente do Senado.

A PEC da Blindagem

A PEC foi aprovada pelos deputados federais, no dia 16 deste mês, para impedir que deputados e deputadas federais sejam investigados e/ou presos sem autorização dos próprios colegas da casa. Os parlamentares somente poderão ser processados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com autorização do Congresso, podendo até serem barradas prisões em flagrantes. A PEC ainda concede foro privilegiado a presidentes de partidos políticos.

Outro trecho do texto da PEC aprovado mantinha como secreta a votação dos parlamentares sobre a prisão de seus colegas. Ou seja, a população jamais saberia se o deputado e/ou deputada que elegeu foi a favor, ou não, da impunidade.

Sérgio Moro tentou manobra para proteger parlamentares

O senador Sérgio Moro (União Brasil-PR), ex-juiz da Operação Lava Jato, responsável pela perda de 4,4 milhões de empregos no país, e outros senadores da oposição tentaram uma manobra ao propor uma emenda no texto da PEC da Blindagem.

A proposta de Moro garantia uma proteção específica contra processos do Supremo Tribunal Federal em casos relacionados à “liberdade de expressão”.

O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, partido de Sérgio Moro, está sendo investigado pela Polícia Federal sobre esquemas do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos setores financeiro e de combustíveis no Brasil.

Rueda é suspeito de ser o dono oculto de jatos executivos que estão em nome de terceiros e de fundos de investimento usados para transportar integrantes do crime organizado, em voos domésticos e para fora do Brasil. O presidente do União Brasil foi denunciado em depoimento de um ex-piloto sobre fuga de alvos em aeronaves ao Uruguai.

Fonte: CUT

Compartilhar: