Setembro Amarelo: ADURN-Sindicato debate a importância do apoio emocional no ambiente acadêmico
O Setembro Amarelo é uma campanha internacional dedicada a preservação da vida, mas que precisa ser debatida todos os dias em nosso meio. Pois, a rotina docente na UFRN é marcada por prazos, pesquisas e cobranças constantes. Mas, em meio ao ritmo acelerado dos departamentos, até que ponto estamos atentos à saúde emocional de quem trabalha ao nosso lado? Neste Setembro Amarelo, o ADURN-Sindicato reforça que cuidar da vida exige acolhimento no ambiente de trabalho e o fim dos tabus que cercam a saúde mental.
Falar abertamente sobre dor emocional e ansiedade ainda esbarra em preconceitos. A professora Ana Karina, do Departamento e da Pós-Graduação em Psicologia da UFRN, e pesquisadora na área de suicídio, explica a origem dessa dificuldade: A temática da saúde mental ainda é cercada por muitos tabus, em especial no que tange à possibilidade de poder falar sobre o sofrimento de forma clara, explícita e livre, principalmente sem julgamentos. Eu penso que essa reflexão tem a ver com o espírito do nosso tempo, que ainda é um tempo que não confere lugar ao sofrimento humano. Nós vivemos numa sociedade marcada pelo imperativo da felicidade e que termina fazendo com que a livre expressão do sofrimento ainda seja marcada por muito encobrimento, vergonha ou até mesmo sentimentos como o fracasso."
No cotidiano acadêmico, os sinais de que um colega precisa de apoio costumam surgir de forma discreta. A professora aponta o que deve despertar o nosso alerta: "Tem alguns sinais que são muito importantes para todos nós, que são de identificar as mudanças no comportamento daqueles que estão ao nosso lado, as expressões de apatia, tristeza, desinteresse, ou até mesmo as verbalizações quanto à dificuldade de lidar com o cotidiano. A gente precisa entender que a problemática da saúde mental pode se expressar nas mais diferentes níveis de complexidade. A gente não está falando só de um adoecimento grave, a gente tá falando da dificuldade de lidar com a cotidianidade. E não devemos ter medo de abordar livremente quando a gente percebe que alguém está em sofrimento."
Quando percebemos que um colega de trabalho ou aluno precisa de suporte, saber como se aproximar faz toda a diferença. Segundo a pesquisadora, a escuta atenta e o direcionamento correto são os melhores caminhos: "Se percebemos que alguém precisa de ajuda, a melhor maneira é nos aproximar, mesmo que a gente não saiba o que fazer, o que dizer, mas que a gente se poste a ouvir. E o ponto mais importante é ajudar essa pessoa a pedir ajuda, informando os espaços de cuidado em saúde mental, como os serviços-escola de psicologia, as clínicas de psicologia ou profissionais da área. Na correria do cotidiano e no nosso atarefamento, a gente termina negligenciando o olhar e o cuidado ao próximo. A principal tarefa é a gente retomar esse olhar sensível não só à dor do outro, mas também à nossa própria dor."
Cuidar da saúde mental na universidade é uma responsabilidade coletiva. Se você ou algum colega estiver passando por um momento difícil, procure os serviços de apoio da UFRN, as clínicas-escola de psicologia ou ligue 188 para o Centro de Valorização da Vida.