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ADURN-Sindicato promove exibição e cinedebate do documentário "Anatomia do Caos" no Complexo Cultural Rampa

Publicado em 09 de Outubro de 2026 Por ADURN Sindicato
ADURN-Sindicato promove exibição e cinedebate do documentário "Anatomia do Caos" no Complexo Cultural Rampa

O ADURN-Sindicato promoveu, na noite da última quinta-feira, a exibição e o cinedebate do documentário "Anatomia do Caos", no Complexo Cultural Rampa, localizado no bairro de Santos Reis. Realizado em parceria com o ATENS UFRN e a CUT/RN, o evento reuniu a comunidade para assistir ao longa-metragem que aborda a trajetória da CPI da Covid-19, os embates políticos e a condução da pandemia pelo Governo Federal.

Durante a mesa de abertura, o secretário do ADURN-Sindicato, Dimitri Taurino, destacou a importância da iniciativa para preservar a memória do período e refletir sobre o papel da atuação política diante das demandas da sociedade.

“Esse cinedebate é um momento de reflexão e de debate a respeito da importância da política e das políticas públicas diante das situações que a sociedade demanda, a exemplo da pandemia da Covid-19. Esse documentário nos permite rememorar e lembrar da importância do trabalho dos trabalhadores do SUS, a quantidade de pessoas que poderiam ter sido salvas, a resistência do Sistema Único de Saúde e a atuação política”, afirmou Dimitri.

O evento contou com a presença da diretora do documentário, Dandara Ferreira, que compartilhou os bastidores da produção e a motivação para registrar esse momento histórico.

“Esse filme surgiu através de um sentimento de revolta, principalmente pelas imagens que eu vi do Amazonas em janeiro de 2021. Como cineasta e documentarista, achei que registrar era uma forma de contribuir. O filme vem para fazer com que as pessoas reflitam sobre o que aconteceu no nosso país. Ele é muito claro sobre quem foram os responsáveis e mostra que essa história poderia ter sido muito diferente se a gente tivesse uma liderança com compromisso com a saúde pública”, explicou Dandara.

Impactos na saúde coletiva

A mesa de debate também reuniu especialistas para discutir os desdobramentos do colapso sanitário. O médico e ex-secretário de Saúde do Estado, Cipriano Maia, apontou o impacto da falta de coordenação nacional e do negacionismo durante a crise.

“O desafio da gestão do SUS na pandemia foi marcado por um contexto extremamente desafiador. O então presidente da República adotou uma postura negacionista: de negar a pandemia, incentivar a circulação em nome de uma 'imunidade de rebanho' e incentivar o uso de medicamentos ineficazes. Em vez de ter uma coordenação nacional do SUS que pudesse apoiar os estados e municípios, o que nós tivemos foi exatamente uma negação política”, ressaltou Cipriano.

Na sequência, a professora e epidemiologista da Facisa/UFRN, Isabelle Mirabal, analisou os reflexos da crise na confiança da população na ciência e na produção universitária.

“Houve uma tentativa muito grande e ampla de desacreditar os cientistas e os sanitaristas brasileiros. Até hoje a gente sente o reflexo de a população ter passado a ser mais descrente no que a ciência fala, a desacreditar nas vacinas e na produção científica que vem das universidades. Tudo o que a saúde coletiva representa para o Brasil foi, em grande medida, desacreditado”, pontuou Isabelle.

Com duração de 1 hora e 28 minutos, o documentário "Anatomia do Caos" convida o público a uma reflexão profunda sobre as consequências sociais, políticas e sanitárias enfrentadas pela população brasileira desde a pandemia.

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