Debate vai lembrar os protestos durante o 1º de Maio de 1968 em São Paulo

Publicado em 02 de maio de 2013 às 11h21min

Tag(s): DItadura Militar



No próximo sábado (4), o Memorial de Resistência de São Paulo e o Núcleo de Preservação da Memória Política promovem um debate sobre ato do 1º de Maio de 1968 realizado na praça da Sé, centro de São Paulo, que terminou com protesto contra a ditadura e pedras jogadas na direção do palanque onde se encontrava o governador biônico, Abreu Sodré. Era um período de manifestações em todo o mundo por liberdade. No final daquele ano, o Brasil entraria na fase mais dura da ditadura (1964-1985), com a decretação do Ato Institucional número 5 (AI-5).
Um dos que estavam na praça da Sé era o jovem presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco (Grande São Paulo), José Ibrahim, então com 19 anos. Dois meses depois do tumulto no Dia do Trabalho, ele comandaria uma das mais famosas – e raras – greves realizadas durante o período autoritário, com pesada intervenção do governo. “Osasco foi parte do AI-5”, diria anos mais tarde o então ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho.
Ibrahim será um dos participantes da atividade de sábado, prevista para começar às 14h. Ele foi um dos presos políticos “trocados” pelo então embaixador dos Estados Unidos, Charles Elbrick. Também fará palestra o presidente do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, Raphael Martinelli, líder ferroviário e dirigente do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), entidade que atuou nos anos 1960 e foi extinta após o golpe.
Também estava na Sé o militante José Campos Barreto, o Zequinha, um dos líderes da greve da Cobrasma, em Osasco. Preso e torturado, Zequinha Barreto terminaria morto em 1971 no sertão da Bahia, ao lado do capitão Carlos Lamarca.
Em sua autobiografia (No Espelho do Tempo), Sodré disse que foi ao comício contrariando recomendações de assessores. "O risco da minha presença era evidente", escreveu. "Os serviços de informação das polícias civil e militar haviam interceptado o rascunho do roteiro da ação provocadora, que chegava a estabelecer as rotas de fuga de cada grupo."
Outro militante presente ao ato da Sé era Marcos Antonio Braz de Carvalho, o Marquito, que se tornaria um dos líderes da Ação Libertadora Nacional (ALN). “Ele cortou os fios do sistema de som quando Abreu Sodré começou a falar, dando início aos protestos dos manifestantes. A polícia reprimiu a manifestação ao perceber que ela fugira ao controle dos organizadores ligados ao governo”, diz informe divulgado pelo Memorial e pelo Núcleo.
Identificado, Marquito entrou para a clandestinidade. “Primeiro comandante do GTA (Grupo Tático Armado) da ALN, escolhido por Carlos Marighella, ele foi morto em janeiro de 1969 pela equipe policial chefiada pelo investigador Raul Nogueira Lima, o Raul Careca – integrante do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) e denunciado como torturador”, afirmam as entidades. “A necropsia revelou que Marquito recebeu tiros nas costas.” Durante o ato de sábado será distribuída uma cartilha sobre o militante.
Fonte: Rede Brasil Atual
 

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