Discurso contra o corte de verbas para a educação domina a abertura do evento

Publicado em 05 de agosto de 2016 às 12h59min

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A necessidade de mobilização contra os cortes na área da educação e todos os efeitos nefastos que essa medida representa  deu o tom geral aos discursos de abertura durante o XII Encontro Nacional do Proifes-Federação, que aconteceu na  noite desta quinta-feira (04/08), na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).  A ADUFRGS-Sindical enviou uma delegação de 16 professores para participar do evento, que segue até domingo (07/08), no Majestic Hotel, na Praia de Ponta Negra, em Natal/RN.

Compuseram a mesa a reitora da UFRN e presidente da Andifes, Ângela Paiva Cruz; o pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional do IFRN, Marco Antônio de Oliveira; o presidente do Proifes-Federação, Eduardo Rolim de Oliveira (ADUFRGS-Sindical); o presidente da ADURN-Sindicato, Francisco Wellington Duarte; Carlos De Feo, da Federação Nacional de Docentes Universitários da Argentina (Conadu); e Maria do Rosário Alves de Oliveira, do Sindicato Nacional dos Técnicos de Nível Superior das IFES (Atens).

Ângela Paiva Cruz, reitora da UFRN, ressaltou que o Encontro poderia estar acontecendo em outro cenário de projeções, onde pudesse se discutir as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), em especial a que trata da ampliação de vagas até 2024 nas universidades federais. No entanto, diante da quebra de Democracia, é preciso parar agora para debater a nova configuração política do Brasil. “Estamos vivendo um grande retrocesso, do ponto de vista político, do ponto de vista ético, do ponto de vista moral e do ponto de vista da economia, que não leva em conta que educação é investimento”, disse.

A reitora lembrou que os dois últimos governos investiram maciçamente na educação superior, ampliando a rede federal de universidades e institutos, avanço este que agora se encontra ameaçado. Ela defendeu a união e mobilização dos professores, técnicos e estudantes para lutar pela consolidação dessa expansão e pela autonomia da universidade. “Educação, ciência e tecnologia não pode ser política de governo, tem que ser política de Estado”, finalizou.

O presidente do Proifes-Federação, Eduardo Rolim, disse que o momento político no Brasil é desafiador e lembrou que isto acontece em um cenário mundial igualmente conturbado. “Nesse momento de resistência é preciso entender o papel das entidades sindicais frente a um processo de mudanças institucionais que estão longe de ser democráticas”, observou.

Rolim frisou que o Proifes, por ser uma entidade plural, precisa entender as diversas visões que existem internamente, porém sem admitir qualquer tipo de retrocesso. “Não aceitamos matrículas pagas nas universidades federais, não aceitamos a reforma da previdência da forma como está colocada, não aceitamos que se tire a obrigatoriedade da Petrobras do pré-sal”, disse. 

Professor Homenageado

O professor Lúcio Hagemann, da ADUFRGS-Sindical, foi o grande homenageado da noite. Aos 80 anos, ele continua dedicando horas de trabalho à luta por melhorias para os professores e ao longo de sua vida acadêmica, além das várias funções administrativas que assumiu, ajudou a criar um curso e depois um instituto dentro da UFRGS: o Instituto de Psicologia. Emocionado, Hagemann disse que não esperava pela homenagem e que enquanto puder estará ao lado dos colegas professores.

Para um auditório lotado, a filósofa gaúcha Márcia Tiburi falou sobre Democracia e Intolerância na noite de abertura do Encontro. Ela discursou sobre a importância do ato de pensar, sobre o chamado “vazio do pensamento” e a impotência que temos hoje para lidar com o próximo.  Ela abordou ainda o ” vazio das ações”, que se concretiza no consumismo e disse que o “golpe à democracia” simboliza uma efetivação desse vazio.

Em relação à intolerância, Márcia lembrou que há dois tipos de extermínio: o direto, através da matança de jovens negros e pobres da periferia e o indireto, que se produz a partir do descaso com a educação pública.

No final, a filósofa lançou o desafio aos professores de se mobilizarem neste cenário pós-golpe, engajando-se em movimentos sociais, invadindo as esferas institucionais, filiando-se a partidos políticos e tomando o poder numa tentativa de mudar o Congresso.

Fonte: ADUFRGS Sindical

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