XV Encontro do PROIFES: Delegação do ADURN-Sindicato defende articulação de uma frente ampla contra a mercantilização da educação

Publicado em 06 de agosto de 2019 às 10h18min

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Realizado entre os dias 1 e 4 de agosto, na cidade de Belém, no Pará, o XV Encontro Nacional do PROIFES-Federação, reuniu cerca de 160 docentes, representantes dos sindicatos federados de todas as regiões do país, em torno da discussão das ameaças à Educação Pública, das perspectivas sindicais e dos principais temas de interesse e reivindicações dos professores das universidades e institutos federais.

Com uma delegação composta por nove professores, o ADURN-Sindicato teve uma intensa participação nos debates de temas e propostas relacionadas à privatização do ensino na América Latina, conjuntura nacional e as perspectivas dos movimentos sociais, aos impactos das reformas do Estado na Educação brasileira, ao movimento sindical docente, ao Plano Nacional de Educação e o financiamento da Educação e aos Direitos Humanos e suas perspectivas no movimento sindical. O caderno de textos da 15ª edição do Encontro trouxe contribuições dos professores Alex Reineck, Oswaldo Negrão, João Bosco Araújo da Costa e Wellington Duarte.

Para o secretário-geral do ADURN-Sindicato, Roberval Edson Lima, o Encontro Nacional é uma importante composição da agenda de lutas do ADURN-Sindicato, no qual se tem uma agenda que é concêntrica, com temas de elevada relevância, “esses temas são atinentes à própria conjuntura nacional que estamos enfrentando, atrelando a essa discussão a como está a situação dos movimentos sociais, também perpassando pela situação do Plano Nacional de Educação e as questões que são consideradas típicas da discussão de uma atividade sindical e ainda algo que é extremamente relevante que é a questão dos Direitos Humanos”.

Conjuntura nacional

Na discussão sobre conjuntura e perspectivas dos movimentos sociais, o professor João Bosco Araújo (UFRN), apontou os desafios do movimento docente na defesa da democracia, da educação e da ciência brasileira.

Partindo da compreensão de que a questão central da luta hoje é a defesa da democracia e a retomada do Estado Democrático de Direito no Brasil, o professor apresentou o texto escrito em colaboração com o presidente do ADURN-Sindicato, Wellington Duarte. “Caberá ao Movimento Docente ter um protagonismo fundamental na luta pela redemocratização do país", afirmou Bosco.

Com o entendimento de que a conjuntura exige das organizações sindicais perseverança, equilíbrio e sapiência, Wellington Duarte avaliou que a Federação, neste contexto, enfrentará o desafio de articular-se com os movimentos nacionais e os sindicatos, nas suas especificidades. Para o dirigente, numa correlação de forças absolutamente desfavorável, é preciso traçar táticas locais e fazer uma articulação nacional para construção de uma frente ampla e recusar a mercantilização da educação pública no país.

Movimento sindical docente

Tema norteador das discussões na tarde do terceiro dia de Encontro, os desafios do movimento sindical docente na atual conjuntura de ataques à Democracia, à Educação, à Saúde, à Ciência e ao Movimento Docente foi o aspecto central da intervenção de João Bosco Araújo (UFRN) como delegado ao Encontro. O professor defendeu a elaboração de um texto único pelo PROIFES para sua instância máxima deliberativa, que é o Encontro Nacional.

Direitos Humanos

A experiência do ADURN-Sindicato na discussão dos eixos abarcados pelo Grupo de Trabalho Direitos Humanos do PROIFES, como raça, etnicidade, gênero e sexualidades também foi apresentada pela delegação potiguar.

A realização de um levantamento sobre a saúde mental dos trabalhadores em educação para aproximar as ações sindicais da vivência do sofrimento no trabalho foi proposta pelo professor Alex Reinecke de Alverga (ADURN-Sindicato) na abertura da mesa sobre Direitos Humanos e suas perspectivas no movimento sindical.

Para o professor, é preciso “levantar a discussão sobre a importância da temática da saúde mental dos trabalhadores em educação ser considerada como tema de vital relevância para o movimento sindical”.

Determinadas por valores sociais, culturais e históricos, as principais causas de morte no Brasil foram apresentadas pelo professor Oswaldo Negrão, diretor do ADURN-Sindicato e do PROIFES-Federação.

Que tiro foi esse? Com esse questionamento e a assertiva de que o Brasil é um país violento, o professor conduziu o debate sobre a violência e seus impactos no campo da saúde e dos Direitos Humanos a partir de uma análise sobre a violência contemporânea.

"Nós estamos numa guerra civil não declarada", afirmou. Ele propôs um posicionamento efetivo do PROIFES em defesa do Estatuto do desarmamento e a realização de um Encontro Nacional de Direitos Humanos com o tema "Cultura da Paz e Direitos Humanos".

Comunicação

Com o entendimento do papel estratégico da comunicação na atual conjuntura midiática e sua importância como ferramenta estratégica para a divulgação das ideias, o aprimoramento das relações da entidade com a sociedade, a democratização das informações e para ampliar o processo de democratização dos sindicatos, a vice-presidente do ADURN-Sindicato e diretora de Comunicação do PROIFES, a professora Gilka Pimentel, apresentou os avanços desta área na Federação e os desafios a serem enfrentados para se avançar ainda mais.

Neste sentido, o professor Ruy Rocha, diretor do ADURN-Sindicato, defendeu a publicação de um caderno de textos pelo PROIFES-Federação, com periodicidade semestral, para tratar de temas da conjuntura nacional, como contraponto aos ataques à Educação pública, aos movimentos sociais e sindicais, a direitos e conquistas.

Mulheres

Em sua primeira participação como delegada ao Encontro, a professora Patrícia dos Santos Calderon, do departamento de odontologia da UFRN, fez uma avaliação do encontro que a cada ano vem ampliando o número de delegados e delegadas ao Encontro e nesta 15ª edição registra a maior participação feminina, com 43% de mulheres delegadas. “Fiquei bem surpresa com o Encontro,  sua natureza e com o que foi debatido, os assuntos pautadas e a profundidade das discussões”, ressaltou a professora.

Ciência, Tecnologia, Extensão e Inovação

Partindo do entendimento que a primeira instância da luta atual é a democracia e a autonomia universitária, como se articular para trabalhar essa questão dentro do debate da Ciência, Tecnologia, Extensão e Inovação. Esse foi o objeto de intervenção do professor Dárlio Inácio, diretor do ADURN-Sindicato, na discussão do último eixo de debates do Encontro.

A cobertura completa do XV Encontro Nacional do PROIFES-Federação pode ser conferida no site: www.encontronacionalproifes.com

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