Pessoas em situação de rua temem aumento do preconceito após confirmação da 1ª morte por Covid-19 no RN

Publicado em 22 de abril de 2020 às 10h34min

Tag(s): Pandemia de coronavírus



Por Saiba Mais

A primeira morte de uma pessoa em situação de rua confirmada na terça-feira (21) em Natal aumentou o temor entre as pessoas em vulnerabilidade social em relação ao preconceito da sociedade.

A vítima tinha 52 anos de idade, era do sexo masculino e tinha histórico de tuberculose. De acordo com informações da secretaria municipal de Saúde, o paciente deu entrada em 7 de abril na UPA da Cidade da Esperança com quadro de tosse, desconforto respiratório e febre. Ele foi entubado, mas veio a óbito no dia seguinte.

O resultado dos exames que confirmaram a causa da morte devido ao novo Coronavírus, no entanto, só saiu dia 21 de abril.

Essa foi a sétima morte em Natal e a 29ª registrada no Rio Grande do Norte.

O coordenador do movimento Nacional de População em Situação de Rua PopRua Vanilson Torres relata a preocupação em relação ao preconceito:

– Nossa preocupação é que a população possa estar vendo as pessoas em situação de rua como seres de contágio, pois nas ruas as pessoas em situação de vulnerabilidade por ausência de políticas públicas não têm onde fazer sua higiene pessoal. Já temos relatos de violência em algumas cidades como São Paulo, onde as pessoas que pedem dinheiro em sinais estão sofrendo agressões de motoristas, que atiram moedas com medo”, disse.

Torres destaca que o problema da vulnerabilidade social não é uma questão de Segurança Pública ou de combate à violência:

– A situação de rua é questão de saúde, mas também de outras determinantes, como habitação, educação, trabalho, emprego, renda e, principalmente, respeito a dignidade da pessoa humana, que envolve toda a questão de higienização pessoal. Mas nem por isso temos o direito de vermos as pessoas como seres não humanos e tentar eliminá-los”, desabafou.

Abrigo instalado pela prefeitura é insuficiente

A Prefeitura de Natal improvisou três abrigos temporários no município: Escola Municipal Celestino Pimentel, na Cidade da Esperança, Escola Municipal Santos Reis, no Bairro Santos Reis e o Abrigo Cidade Alta, que funcionava como Albergue Municipal de Natal e Centro Pop. No entanto, de acordo com Vanilson Torres, das 143 vagas anunciadas que seriam disponibilizadas, apenas 100 foram abertas. Do total, 90 chegaram a ser ocupadas, mas apenas 72 pessoas seguem no abrigo.

– As 143 vagas só saíram mesmo nas reportagens porque na vida real só teve 100. E 28 pessoas já saíram por “n” motivos. Não é fácil viver em isolamento social, ainda mais para pessoas que estão em situação de rua e não recebem tantas informações sobre a Covid-19 como a maioria da população. Para as pessoas que nunca estiveram em situação de rua não está sendo fácil “viver” em isolamento social, agora imagine para as pessoas em situação de rua que nunca tiveram um olhar específico para elas, através de políticas públicas estruturantes. Para estar em isolamento é necessário, além de informações sobre a Covid-19, também termos a intersetorialidade das políticas públicas e ações voltadas para a população em situação de rua em relação a Covid19”, afirmou.

Embora não haja um censo para saber o tamanho da população em situação de rua em Natal ou no Estado, a estimativa é de que só na capita potiguar existam mais de 1,2 mil moradores em situação de vulnerabilidade.

A campanha ‘Solidariedade não pode entrar em quarentena’, lançada pelo movimento PopRua, continua recebendo doações. Estão sendo arrecadados alimentos não perecíveis, produtos de higiene pessoal, máscaras, álcool em gel, garrafas de água mineral, além de valores destinado a compra de marmitas para alimentação imediata. No Instagram do MNPR/RN (@mnpr_rn) é possível acompanhar as ações que estão sendo realizadas, bem como a prestação de contas das doações feitas.

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