Comitê Científico do Nordeste condena uso da Cloroquina em pacientes com coronavírus

Publicado em 27 de abril de 2020 às 13h03min

Tag(s): Pandemia de coronavírus



Seguindo recomendações do maior instituto de pesquisas do mundo, o National Institute of Health (NIH), o Comitê Científico do Consórcio Nordeste reiterou a posição contrária ao uso da Cloroquina e Hidroxicloroquina em qualquer fase da infecção produzida pelo coronavírus que não possuam embasamento científico ou clínico comprovados.

A recomendação está no seu boletim nº 5, publicado na última sexta-feira, 24. No documento, o comitê afirma que estudos clínicos realizados em diversos países “demonstram a inexistência de qualquer efeito terapêutico destes medicamentos e o gravíssimo risco de morte súbita por parada cardíaca irreversível”.

Nos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump, assim como o brasileiro Jair Bolsonaro, tem defendido o uso dos produtos, a agência reguladora de alimentos e drogas, a Food and Drugs Administration (FDA), publicou autorização de uso emergencial de sulfato de hidroxicloroquina e fosfato de cloroquina em alguns pacientes hospitalizados com a covid-19. Mas o medicamento não demonstrou benefício no tratamento do coronavírus e apresentou alto risco de morte aos pacientes, de acordo com uma análise feita por pesquisadores da Universidade da Carolina do Sul e da Universidade de Virginia em pacientes dos hospitais de veteranos.

Na última sexta-feira, 24, a FDA recomendou cuidado quanto ao uso da cloroquina e hidroxicloroquina. “A FDA está ciente dos relatórios sobre problemas graves de ritmo cardíaco de pacientes com covid-19 que se trataram com hidroxicloroquina ou cloroquina, combinando também com azitromicina e outros medicamentos”.

Distanciamento Social

A partir dos trabalhos e relatórios de seus subcomitês, o grupo integrado por médicos, cientistas, físicos e pesquisadores brasileiros reconhecidos internacionalmente, sob a coordenação do cientista Miguel Nicolelis e do físico e ex-ministro de Ciência e Tecnologia Sérgio Rezende, aprovou outras seis recomendações aos governadores do Nordeste. Entre elas, a manutenção do distanciamento social.

“O Comitê reitera, sem qualquer hesitação, a necessidade de se manter e ampliar significativamente os atuais níveis de distanciamento social sob pena de termos uma catástrofe humanitária sem precedentes na história do Brasil”, afirma o boletim.

A partir do exemplo da Suécia, que, ao contrário de seus vizinhos da região da Escandinávia, não adotou medidas de distanciamento social no início da pandemia, o comitê enfatiza a importância da medida para conter o avanço do contágio pela Covid-19. “Como consequência, a Suécia hoje apresenta um número de óbitos oito vezes maior que Dinamarca e Noruega”, pontua.

Uso emergencial de ventiladores

O Comitê recomendou, ainda, a implementação de um programa de desinfecção de lugares públicos e um a estratégia diversificada para mitigar o problema da escassez de ventiladores nas Unidades de Terapia Intensiva. Umas das soluções apontadas está na adaptação de máquinas de ventilação usadas normalmente em salas cirúrgicas para uso contínuo em UTI’s. Propõe, ainda, “como medida de último recurso o uso de protocolos de compartilhamento de ventiladores por dois pacientes que apresentem estados clínicos pulmonares semelhantes”.

Monitora Covid-19

Sem capacidade de aplicar testes em massa no país para o diagnóstico da Covid-19, o que dificulta o processo de tomada de decisão dos gestores, o Comitê Científico do Consórcio Nordeste desenvolveu o aplicativo Monitora Covid-19 e reforçou a campanha pelo seu uso como forma de conseguir dados em toda a região dos pacientes que começam a sentir os sintomas do coronavírus.

“Sem dados a gente não consegue fazer estimativas dos cenários que sejam úteis. A nossa chance é pedir aos nossos irmãos espalhados por todas as cidades, municípios, vizinhanças, metrópoles, bairros do Nordeste, que nos ajudem baixando o aplicativo do monitora Covid-19 e nos informando pelo telefone quais são os sintomas que vocês estão sentindo e qual é a gravidade de sintomas”, avalia o neurocientista, Miguel Nicolelis, que coordena a equipe responsável pela análise de dados para projeções aos governos dos nove Estados que compõem a região Nordeste.

Com isso, os estados da Bahia e do Piauí já estão oferecendo serviços de telemedicina acoplados. Dessa forma, os pacientes podem ser direcionados com esse sistema para basicamente um posto de saúde ou uma UPA, ou mesmo hospital que seja próximo. Sergipe e Maranhão já assinaram acordo e segue protocolo de ação monitória.

Ampliação do aporte financeiro para as Fundações de Amparo à Pesquisa

Os governos estaduais foram orientados a manter e ampliar significativamente os investimentos e recursos das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAP’s) para que possam dar continuidade aos programas e ações de fomento à pesquisa, “especialmente aqueles direcionados as atividades de enfrentamento do COVID-19”.

Os nove Estados da região Nordeste possuem nove FAPs, que junto as outras 17 distribuídas pelo restante da Federação (com exceção de Roraima), fazem parte donSistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCIT).

Além disso, recomenda:

. Realizar aportes adicionais de recursos para financiar editais ou chamadas públicas que viabilizem os grupos de pesquisa já existentes e a indução do desenvolvimento de novos produtos, serviços e processos por meio de encomendas tecnológicas às universidades, institutos de ciência e tecnologia, empresas de base tecnológica, startups e outros.

. Criação de um Fundo do Nordeste para Fomento à Ciência e Desenvolvimento Tecnológico (FNCD), para recebimento de recursos de origem privada, de pessoas físicas e jurídicas, emendas parlamentares, aportes governamentais e transferências de agências multilaterais internacionais e governos estrangeiros.

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