60 dias: atividades e atuação da UFRN no combate à Covid-19

Publicado em 19 de maio de 2020 às 23h38min

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Direcionando suas ações ao enfrentamento da pandemia causada pela Covid-19, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) completou 60 dias de suspensão das aulas nesse domingo, 17 de maio. Nos últimos dois meses, as atividades presenciais foram paralisadas e o foco da instituição passou a ser o combate à pandemia, apoiando o estado na realização de exames da Covid-19 e de outras doenças, na produção de álcool 70% e de equipamentos de proteção individual (EPIs), participando da campanha de vacinação contra gripe, oferecendo teleatendimento e materiais educativos sobre o contexto do coronavírus, antecipando a colação de grau de estudantes da saúde, além de realizar estudos e pesquisas em diversas áreas do conhecimento sobre a Covid-19.

A decisão pela suspensão das atividades universitárias por tempo indeterminado foi tomada pela Reitoria, com base na orientação do Comitê Covid-19 - grupo formado por especialistas da saúde para assessorar a gestão nas decisões relativas ao novo coronavírus. Nessa perspectiva, as aulas e outras ações presenciais da instituição foram suspensas para evitar aglomeração, exceto os serviços essenciais, conforme recomendação das autoridades sanitárias do Brasil e do mundo. “Acatamos imediatamente a orientação da comissão de especialistas, visando garantir a saúde da nossa comunidade universitária e, consequentemente, no intuito de reduzir o risco de contaminação no nosso estado porque a população universitária é composta por mais de 45 mil pessoas”, lembra o reitor José Daniel Diniz Melo.

A pró-reitora de Graduação (Prograd), Maria das Vitórias de Sá, explicou que, até o momento, não há informações suficientes que permitam previsão do retorno das aulas. Discussões relacionadas ao planejamento de atividades acadêmicas estão sendo realizadas nos Centros e Unidades Acadêmicas Especializadas, considerando as especificidades de cada área, para assegurar ampla participação de todos os segmentos da universidade.  Decisões sobre o calendário universitário são responsabilidade do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe), ou seja, haverá ampla análise e discussão antes da definição do novo cronograma.

A professora esclareceu ainda que, devido à grande diversidade de áreas, qualquer deliberação levará em consideração as especificidades de cada curso, a inclusão dos estudantes e docentes e a preservação da formação acadêmica de qualidade, tendo como princípio o respeito à isonomia e à realidade da comunidade universitária. Outro ponto destacado pela pró-reitora é que o ano letivo da universidade é diferente do ano civil, ou seja, o semestre letivo de 2020. 1 pode ser retomado mais à frente, quando as autoridades sanitárias considerarem seguro o retorno das atividades.

Por outro lado, as atividades administrativas precisaram se adequar rapidamente à prática remota, por meio do teletrabalho. “Mesmo sem a possibilidade de implantar o trabalho remoto de forma planejada, visto que estamos vivendo um momento de emergência, nossa prioridade foi preservar a saúde das pessoas”, explica a pró-reitora de Gestão de Pessoas (Progesp), Mirian Dantas dos Santos, ao destacar o empenho e a dedicação dos servidores para cumprir as metas institucionais.

Serviços como o atendimento ao público passaram a ser remotos pelo site da Progesp (www.progesp.ufrn.br/fale-conosco). Durante esse período, houve ainda a oferta de 29 atividades de capacitação no formato de educação a distância e autoinstrucional; o lançamento e consolidação do Levantamento de Necessidades de Capacitação (LNC 2021); a realização da Campanha de Vacinação usual e da Influenza; a disponibilização de médicos assistenciais ao Instituto de Medicina Tropical (IMT), para desenvolvimento de atividades relacionadas à Covid-19; a manutenção do atendimento psicossocial; a realização do Em casa com a PROGESP, que tem por finalidade levar momentos lúdicos, reflexivos e relaxantes; entre outras atividades.

Ainda na parte administrativa, a universidade atuou na negociação com as empresas terceirizadas, no sentido de priorizar a prestação dos serviços na forma presencial para as atividades essenciais. A necessidade de readequar a prestação dos demais serviços não essenciais foi comunicada pela instituição, de acordo com o funcionamento e demanda de cada unidade administrativa e acadêmica, garantindo assim a segurança dos funcionários e a manutenção dos empregos dos trabalhadores.  A pró-reitora de Administração da UFRN, Maria do Carmo de Oliveira, explicou que “a universidade procedeu a comunicação às empresas contratadas quanto à limitação das atividades presenciais apenas para os serviços essenciais, orientando-as sobre a necessidade de adequarem as rotinas dos funcionários à especificidade de cada unidade”.

Diante desse contexto de emergência na saúde pública e cumprindo sua missão institucional, a comunidade da UFRN vem aplicando o conhecimento científico para ajudar a solucionar os problemas ocasionados pela pandemia. No contexto da Covid-19, a UFRN está realizando diversos estudos em diferentes áreas sobre: farmacologia; percepção do natalense a respeito da Covid-19; desafios pedagógicos durante a pandemia; efeito da Covid-19 na demografia; impacto da pandemia no setor leiteiro; modelo de disseminação da Covid-19; impactos do coronavírus no turismo; Covid-19 e esgotamento sanitário; monitoramento e proteção domiciliar da pessoa idosa; exposição de trabalhadoras domésticas ao coronavírus; atuação das bibliotecas durante a pandemia; entre outras temáticas.

As ações de extensão também ganharam papel essencial no contexto atual, ao levar a universidade de forma prática à sociedade. Nessa perspectiva, uma das ações citadas pelo pró-reitor de Extensão (Proex), Graco Viana, são as iniciativas das empresas juniores que, de forma voluntária, estão oferecendo cursos, capacitações, orientações, diagnósticos on-line, entre outras atividades como forma de amenizar os impactos da pandemia. Outra iniciativa é a Revista Extensão & Sociedade, que visa divulgar atividades extensionistas dentro do contexto do novo coronavírus.

Sobre a assistência estudantil, a continuidade do pagamento das bolsas e auxílios custeadas com recursos do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) foi a medida mais importante tomada pela UFRN no apoio aos estudantes durante a quarentena da Covid-19. “Essa medida beneficia estudantes que recebem as bolsas acadêmicas (pesquisa e extensão), as bolsas de apoio técnico, as bolsas atleta e os auxílios alimentação em espécie, moradia e creche”, explica o pró-reitor de Assuntos Estudantis (Proae), Edmilson Lopes. 

Os beneficiários desses auxílios, identificados como prioritários para o atendimento da assistência estudantil pelo serviço social da Proae, continuam recebendo as suas mensalidades mesmo com a suspensão das atividades acadêmicas. E, dessa forma, a UFRN contribui com o suporte financeiro para os estudantes e suas famílias. Outra medida fundamental executada pela Proae foi a instituição de um auxílio alimentação temporário concedido aos moradores das residências universitárias e beneficiários do auxílio do Campus Central como compensação pela suspensão das atividades do Restaurante Universitário. 

Os estudantes contam ainda com acolhimento psicológico online e ações especiais no Instagram do Programa Hábitos de Estudo (PHE). O perfil @pheufrn realiza lives, lança podcasts quinzenais e desenvolve o projeto Conexão PHE, que promove encontros entre pessoas que desejam realizar atividades em comum durante o isolamento social. Será lançado em breve um e-book gratuito sobre rotinas de estudos, com foco em ajudar os alunos que buscam aproveitar o tempo em casa de forma produtiva.

Principais iniciativas da UFRN

Testagem (arboviroses e Covid-19) - O Instituto de Medicina Tropical (IMT), junto ao Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas (DACT) e o Departamento de Microbiologia e Parasitologia (DMP), vem realizando testes em parceria com o  Laboratório Central de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Lacen) desde março.  Inicialmente, para diminuir a demanda do laboratório estadual, foram realizados exames de arboviroses (dengue, chikungunya, zika) e, em seguida, a UFRN começou a testagem da Covid-19. Atualmente, já foram realizados mais de 3 mil testes do coronavírus pela UFRN e o IMT obteve, recentemente, autorização do Instituto Evandro Chagas (IEC) para gerenciar todas as fases do exame. Nos próximos meses, há a previsão de realizar até 100 mil testes, o que será possível devido ao crédito extraordinário recebido do Ministério da Educação (MEC).

Vacinação contra gripe – Visando diminuir os casos de gripe comum e desafogar a rede de saúde, a Diretoria de Atenção à Saúde do Servidor (DAS) participa da Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza. Outras unidades da instituição também participaram da campanha como o Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (Lais), Instituto do Envelhecer (IEN),  Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Departamento de Enfermagem (DENFER), Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva (NESC), Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGE), Escola de Saúde (ESUFRN), por exemplo.

Teleatendimento – Com o intuito de evitar a saturação do sistema de saúde, a universidade oferta atendimento remoto para tirar dúvidas da população sobre o novo coronavírus. Com o IMT, o contato pode ser feito de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 18h, pelo telefone 3342-2300 e, com Telessaúde Sertão da Escola Multicampi de Ciências Médicas do Rio Grande do Norte (EMCM), o acesso se dá pelo site.

Campanhas e materiais educativos – Diversos setores da universidade produziram materiais informativos, como cartilhas, cursos, vídeos, aplicativos ou guias sobre cuidados odontológicos em crianças; cuidados com pacientes transplantados ou que farão transplante de medula óssea; cuidados com a pessoa idosa; cuidados de enfermagem; nutrição; saúde mental; brincadeiras infantis; orientações sobre delivery (entrega) de alimentos; higienização de órteses, próteses e dispositivos auxiliares de locomoção; exercício físico em casa; curso de música on-line; limpeza da casa; entre outros.

Álcool 70% - A grande demanda por álcool 70% como medida de prevenção ao coronavírus gerou dificuldade de acesso à substância, especialmente no início da pandemia. Diante dessa adversidade, o Departamento de Farmácia (DFARM) e o Núcleo de Pesquisa em Alimentos e Medicamentos (Nuplam) já produziram mais de 15 mil litros de álcool, distribuído para diversos municípios do estado, para os hospitais universitários e para a DAS. O DFARM também passou a produzir álcool gel no início de maio, com capacidade de fabricação de 30 a 35 kg por dia.

Equipamento de proteção individual (EPI) – Outra medida de prevenção de contágio da Covid-19 é o uso de EPIs, e a grande procura pelo material gerou desabastecimento no mercado. Então, de forma voluntária, alunos, técnicos e professores da UFRN tiveram a iniciativa de produzir e doar equipamentos de proteção para o Hospital de Campanha de Natal, Hospital Walfredo Gurgel, Hospital Santa Catarina, Hospital Rio Grande, SAMU Vale do Açu, Secretaria de Saúde de São Gonçalo, Hospital Coronel Ezequiel, Hospital do Seridó, UBS de Felipe Camarão, UBS de Bom Jesus, Maternidade Januário Cicco, UBS Francisco Gomes e Hospital e Maternidade Dona Teca, entre outras unidades de saúde.

Parcerias com órgãos públicos e privados – Especialistas da UFRN estão no Comitê Científico do Consórcio do Nordeste, para auxiliar na tomada de decisões e na criação de estratégias de combate à Covid-19, levando em consideração questões de saúde no contexto socioeconômico.

A instituição está contribuindo ainda com a criação e oferta de tecnologias. Como exemplo, o Instituto Metrópole Digital (IMD) desenvolveu plataformas para auxiliar a Secretaria Estadual de Saúde (Sesap/RN) no acompanhamento de casos de Covid-19,  para o gerenciamento inteligente de leitos e para gestão de processos seletivos temporários de profissionais de saúde, além criar tecnologia para o Ministério Público Estadual, com o intuito de evitar aglomerações.

Outro setor que está engajado na oferta de soluções tecnológicas na área da saúde é o LAIS, que desenvolveu um sistema de monitoramento contínuo dos casos da Covid-19 no RN e um portal sobre o novo coronavírus, em parceria com o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).

A UFRN oferece também acolhimento psicológico para a comunidade interna e para a sociedade, por meio do Serviço de Psicologia Aplicada (SEPA) e do Laboratório de Estudos em Tanatologia e Humanização das Práticas em Saúde (LETHS), em parceria com a Sesap e o Instituto Bem-Te-Vi.

Hospitais universitários (HUs) – Como forma de desafogar a demanda da rede pública de saúde, os HUs estão funcionando como retaguarda, recebendo pacientes de outras unidades hospitalares e liberando leitos para que as outras unidades atendam os casos da pandemia. Cursos de formação para atuação de profissionais de saúde na pandemia estão também sendo oferecidos pelo HUs.

Disponibilização de estrutura para leitos da Covid-19 – A UFRN disponibilizou ao governo do estado infraestruturas para instalação de leitos na EMCM, em Caicó; no prédio destinado para o parque tecnológico em Macaíba; e, na semana passada, no prédio do IMT, para funcionamento de ambulatório do Hospital Giselda Trigueiro.

Ações de solidariedade – Diversos setores estão participando de ações de arrecadação e doação de EPIs, toalhas, lençóis, materiais de higiene, cestas alimentícias, entre outros itens, para auxiliar a população em vulnerabilidade social ou órgãos da saúde pública.  Exemplo disso é uma ação desenvolvida pela Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), em parceria com agricultores familiares,  que arrecadou mais de uma tonelada de alimentos doados à população em vulnerabilidade social.

Colação de grau antecipada – Com o intuito de aumentar a quantidade de profissionais para atuar na crise de saúde em que o mundo se encontra, a UFRN regulamentou o adiantamento da colação de grau de alunos de cursos da saúde, entregando à sociedade 88 novos médicos e dois enfermeiros. 

Fonte: UFRN

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