Em cordéis, professor aposentado da UFRN denuncia “sertanicídio” e relembra trajetória de pensadores brasileiros

Publicado em 26 de julho de 2021 às 11h38min

Tag(s): Cultura de Cordel



“Centenas e centenas de hectares desmatados, terra nua, quente e desprovida de cobertura vegetal”. Esse foi o cenário que o professor aposentado de Engenharia Mecânica da UFRN, João Telésforo, presenciou quando voltou à zona rural, na Ribeira do Seridó, durante a pandemia. A construção da “maior usina solar da América Latina” na região, como define, foi a responsável por essa visão.

Assim, utilizando o pseudônimo de “João Massena”, a situação no interior deu impulso para que lançasse, com mais 21 autores, o cordel “Sertanicídio cerceia as vidas no chão sofrido”. “Aprendiz de poeta”, como se intitula, o engenheiro relaciona, na apresentação da obra, o “sertanicídio” com as ocupações estrangeiras e as guerras coloniais. Dispostos ao lucro, estavam “sempre bem monitorando de perto nossas riquezas de perto”, denuncia.

“Jamais presenciei tanta devastação da Caatinga como a que sou testemunha nestes últimos meses”, diz o professor. Assim, diz, “ver, hoje, o pleno sertanicídio que se pratica, levou-nos, eu e um grupo de brasileiros indignados, a escrevermos um cordel coletivo sobre essa temática”.

A obra é uma defesa da fauna e flora locais. “Dos animais tenho dó / Sem casa, sem proteção / Nem mesmo com oração / Impede de virar pó”, declara os versos de Palloma Brito. Para Antônio Amador, poeta e professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), é preciso mobilização para derrotar o cenário de devastação. “Se nenhuma intervenção / Ocorrer nesse sentido / Lamento é voto vencido / Que a devastação não freia”, anuncia.

Centenário de Paulo Freire

Proativo, este não é o único cordel escrito por João Telésforo. Ele lançou, também em 2021, um livreto para lembrar os 100 anos que Paulo Freire, Patrono da Educação Brasileira, faria se estivesse vivo. Intitulado “Três educadores brasileiros com reconhecimento mundial”, o cordel homenageia ainda a potiguar Nísia Floresta (1810-1885) e o paraibano Celso Furtado (1920-2006).

A obra é outra criação coletiva. Conta com 40 colaboradores que ajudaram a relembrar a história de educadores e intelectuais que contribuíram para a história do Brasil. “Nestes tempos duros, semear algumas referências no campo da educação ao nível mais popular cremos ser uma forma de atingirmos velhos e novos públicos à luta da educação para todas e todos”, afirma.

“Visionária, brasileira defensora do direito das mulheres”, cuja “meta era formar e transformar consciências”, dedica João Massena Telésforo para Nísia Floresta. A Celso Furtado, o homenageia como “autor de teoria econômica / verdadeira bomba atômica / ao setor conservador”. Já para o dono das linhas da “Pedagogia do Oprimido”, Massena diz que ele mostrou “Um método que marcou / Com sua filosofia / Que tem servido de guia / Na área educacional / De abrangência mundial / Pelo seu grande valor / Paulo Freire foi doutor da Justiça Social”.  

Os cordéis “Sertanicídio cerceia as vidas no chão sofrido” e “Três educadores brasileiros com reconhecimento mundial” podem ser lidos na íntegra clicando nos links a seguir:

 

Sertanicídio Cerceia as Vidas no Chão Sofrido

Três Educadores Brasileiros com Reconhecimento Mundial em Cordel

 

ADURN Sindicato
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