Pesquisadora lança livro sobre comunidade quilombola de Parelhas: “quilombo hoje é um lugar de libertação”

Publicado em 06 de agosto de 2021 às 11h30min

Tag(s): Cooperativa Cultural Encontros e Conversas



A professora Suély Souza, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), lança na próxima quarta-feira (11) o livro Quilombo Boa Vista dos Negros: Cultura, Escola e Cidadania. A obra é o resultado da tese de doutorado defendida pela docente em 2017 sobre uma comunidade negra de Parelhas/RN. O evento faz parte do projeto Encontros e Conversas, e será transmitido às 19h30 pelo canal do YouTube do ADURN-Sindicato.

Parelhense e hoje morando em Natal, Suély diz que o interesse por esse campo de pesquisa veio pela proximidade. “Eu convivia com esse povo desde a minha infância, nas férias, e aí resolvi escolher essa comunidade para investigar, já que eu já vinha trabalhando com essa temática do negro”, diz a professora, que é coordenadora do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (NEABI) do IFRN Campus Natal-Central. “Então esse doutorado foi realizado na Universidade do Minho (Portugal), de 2013 a 2017, e só agora eu fechei esse ciclo com esse livro”, afirma.

Um dos pontos investigados por Souza foi a aplicação da lei 10639/2003, que obriga o ensino da cultura negra nas escolas, e não é seguida corretamente. “Mesmo estando nos documentos oficiais das escolas, isso não vem sendo aplicado. Não há uma representatividade do negro dentro da escola”, critica a professora. “Por exemplo, não se trabalha a história do Quilombo. Parelhas, a cidade, surgiu posterior ao surgimento desse quilombo e esse quilombo não se encontra na historiografia oficial do município”, continua.

Para ela, a representação dos quilombos ainda é caricaturizada. “Os negros da Boa Vista são por muitas vezes vistos como um folclore, como se eles servissem para animar as festas do Dia da Consciência, do desfile de 7 de setembro, a festa de padroeiro”, afirma. “Mas eles não são vistos como dando importância à sua ancestralidade, às suas tradições, e a gente vê que esses conteúdos sobre a África ainda não estão presentes no dia a dia das salas de aula”.

Segundo Suély, o desconhecimento que alguns dos seus alunos sofrem também é compartilhado por outros professores, que ainda veem essas culturas como “engessadas no passado”. “As pessoas ainda veem quilombo como um lugar de refúgio, como era lá no Brasil colonial. Enquanto que quilombo hoje é um lugar de libertação, é um lugar onde eles podem e vivem a sua cultura de forma livre, as suas tradições de forma livre”, enfatiza.

A educadora diz ainda que esses problemas são resultados do “preconceito encrustado”. “Os profissionais percebem a necessidade e a importância de se trabalhar sobre cultura afro, mas aquele preconceito ainda presente nas pessoas o impedem de realizar um trabalho realmente eficaz”, afirma. De acordo com ela, a diversidade étnica está presente dentro das salas de aula, “mas a forma de se trabalhar essa diversidade é que ainda não é eficiente”. Assim, para Suély, é necessário que os currículos escolares deixem de ser apenas um “currículo escrito” e virem um “currículo-ação”.

O livro “Quilombo Boa Vista dos Negros: Cultura, Escola e Cidadania” é uma publicação da editora Caravela Selo Cultural e está à venda na Cooperativa Cultural da UFRN. Durante a transmissão online, além da autora, participa também o historiador parelhense Sebastião Santos.

 

Serviço

Lançamento do livro Quilombo Boa Vista dos Negros: Cultura, Escola e Cidadania

Quando? Dia 11 de agosto de 2021

Que horas? Às 19h30

Onde? Canal do YouTube do ADURN-Sindicato

ADURN Sindicato
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