“Novas ideias são capazes de revolucionar o mundo”: após 100 anos, pensamento de Paulo Freire segue atual

Publicado em 08 de setembro de 2021 às 12h31min

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“A prática freiriana nos ajuda a pensar algo novo. Ajuda-nos a pensar a vida nova que só pode ser conquistada através de coletivos”. Assim define o PhD e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Paulo Palhano, sobre a atualidade do pensamento do pernambucano Paulo Freire (1921-1997).

Palhano foi o convidado da última sexta-feira (3) do Jornal da Educação, programa veiculado na Rádio Universitária e produzido pelo ADURN-Sindicato. Para o docente, falar de Paulo Freire é procurar conhecer a sua história. “Uma criança que foi alfabetizada embaixo de uma mangueira, onde o educador escrevia ao chão as letras, as pequenas palavras. Mas que logo ganhou uma bolsa de estudo para estudar numa escola perto de sua casa. E ele vai então ser professor dessa mesma escola quando cresce”, relembra.

Palhano comenta ainda sobre a juventude do pernambucano e sua participação nos movimentos sociais. Formado em Direito, Freire advogou pela primeira vez contra um dentista. Após isso, teria dito: “eu não quero mais essa profissão”. “E aí ingressa pela filosofia e nós ganhamos um grande educador”, diz Paulo Palhano.

A experiência junto aos camponeses foi uma virada na vida de Freire. Convidado pelo governador Aluízio Alves a realizar um trabalho em Angicos-RN, pois o seu secretário relatava a ação vigorante que havia sido feita em Recife, o educador aceita e vai para o interior do Rio Grande do Norte em 1963. “Mas veio o golpe militar e tudo foi por água abaixo. Não o trabalho de Paulo Freire, mas a repressão sobre o que ele fazia”, diz o professor da UFPB. Com a ditadura, em 1964, Freire é preso e depois exilado no exterior. Mas a sede de educar nunca cessou. “Este homem contribui com a sociedade e volta depois do exílio para trabalhar junto aos professores, aos sindicatos, aos movimentos sociais diversos”, diz Palhano.

Na volta ao Brasil, é convidado pela prefeita de São Paulo Luiza Erundina, “paraibana arretada” como define Palhano, pra ser então secretário de Educação. “A primeira coisa que ele faz é olhar o estado das escolas, conversar com as pessoas. É muito importante perceber esse jeito simples de agir. Isso é muito importante porque a escola precisa ir aonde o povo está, e o povo precisa ir a onde a escola está, observa o PhD.

Para Paulo Palhano, o pensamento do seu homônimo é revolucionário. “Nessa simbiose nós vamos ter um novo lar sendo construído, novas ideias surgem e novas ideias são capazes de revolucionar o mundo na medida em que elas são atos conscientes”, afirma.

A entrevista com Paulo Palhano faz parte da série especial produzida pelo Jornal da Educação para comemorar o centenário de Freire. Nas semanas seguintes, os ouvintes conhecerão outras experiências e legados deixados pelo pernambucano. O programa vai ao ar toda sexta-feira, às 12h30, na Universitária FM Natal.

Ouça AQUI a edição completa do Jornal da Educação veiculado na última sexta-feira (3).

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